Avançar para o conteúdo principal

Vícios



A vista de aqui de cima é fantástica e nos dias em que o tempo permite planar é melhor ainda. Consigo encontrar comida e brinquedos com o mínimo de esforço.
A minha colecção de coisas giras e as conversas com os vizinhos são os meus passatempos preferidos. Não consigo resistir ao brilho de um objecto nem a uma novidade bem interessante. Sempre que posso, paro numa árvore ou até mesmo no chão e converso um pouco. É assim que aguento as dezenas de anos que pesam nas asas deste velho corvo. Ainda me lembro de quem traiu as avós e quem roubou os pais da vizinhança.
Esta minha curiosidade pelas novidades da vida alheia não me permite guardar segredos. As penas fazem-me cócegas quando alguém me diz: “ Não contes a ninguém!”. Não é por isso que não tenho amigos. Quem não quer que se saiba não conta.
Aprendi esta lição no ano passado com a galinha preta: um dia ela contou-me que desconfiava que a pata branca andava metida com o galo porque, apareceram ovos mais pequenos do que o resto das patas num dos ninhos aonde ela costumava dormitar.
Eu achei o facto histórico, já tinha ouvido casos acerca da existência de relações entre as raças do galinheiro mas nunca tinha presenciado uma. Não consegui conter a novidade e contei assim que pude. Foi o pior erro que alguma vez fiz. Quando a pata branca soube desatou a chorar e confessou que como nunca tinha conseguido pôr ovos ajudava as galinhas a chocar os delas.
Todos temos defeitos. Não significa que não sou bom corvo apenas não sou guardador de segredos e agora aviso a quem se dirige: “Se ao povo não queres contar, deixa-te no segredo ficar.”

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sono

Neurónio A para Neurónio B: -Estás a trabalhar? -Não, estou a dormir! -Preciso da tua ajuda! Acorda! -O que queres? -Arranja qualquer coisa para eu fazer! -Dorme como eu! -Não posso! Tenho que manter o corpo desperto! É de dia! -Então, se, já tens tanto trabalho porque queres mais? -Gosto de fazer coisas novas! -Humm…já sei! -O quê? -Cria um piloto automático como nos aviões. -Como assim? -Cria um botão para o corpo fingir-se desperto e deixar-nos dormir. -Isso é um desafio! -Ainda bem que concordas! Quando estiver criado, acorda-me para testar! :)

Dor de chispes no inicio de Verão

Quem quer estrear aquelas sandalocas novas fashion? Os pezinhos estão na estufa durante o Inverno e depois queixam-se!

Querias dizer? - 1ª Série, 1º Episódio:)

Existem milhares de expressões populares, algumas que ouvimos desde pequenos, outras são restritas a certas zonas do país. Vou criar aqui no Diário de um Anjo uma rubrica destinada a esta problemática. Nunca vos aconteceu dizer uma expressão a alguém que nunca a tinha ouvido , essa pessoa perguntar o sentido da mesma e não saberem responder. Eu acho que estas frases estão alojadas no nosso subconsciente, associadas a um causa ou um efeito e falamo-las sem pensar. Assim sendo, desafio-vos para refletirem esta semana sobre a expressão: “Dar terra para pôr Cebolas!” Significado popular: Fugir de algo. Tentei procurar, infrutiferamente na internet. Resolvi então ver o significado simbólico da Cebola, nessa fantástica enciclopédia online Wikipédia: “Os latinos, segundo Plutarco, proibiam o uso do bolbo, porque acreditavam que ele crescia quando a Lua diminuía”. Ora, se “dermos terra para pôr cebolas” ocupamos a Terra com um vegetal que diminui a Lua. Logo, não augura nada de bom, certo?...