Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Contos

O moinho dos Sonhos do Mestre André

  — Avô, de onde vêm os sonhos? — perguntava o João. — Bem, os sonhos vêm do moinho dos Sonhos do Mestre André! — Quem é o Mestre André? — O Mestre André é o homem mais velho do mundo, que vive no topo de uma montanha, num moinho de vento. — A sério? Já alguma vez o viste? — Nunca ninguém o viu. Ele vive apenas com os seus amigos. — Quais amigos? — O vento e o Dragão dos Sonhos! — Uau, um dragão! E como é que ele fabrica os sonhos? — Como um moinho de vento normal. O João ficou baralhado, porque já tinha visitado um moinho de vento e, de lá de dentro, só saía farinha. — Isso não faz sentido, avô! No moinho que visitei, havia um senhor que colocava grãos entre duas grandes pedras chamadas mós. Elas rodavam e esmagavam os grãos, transformando-os em farinha. Esse movimento era gerado pela força do vento, que fazia girar as pás do moinho. — Pois, neste moinho, o Mestre André também põe uns grãos especiais, que são esmagados pelas mós. Depois, sai uma farinha mág...

O Natal do Astétrix

  Na aldeia gaulesa, Panoratix preparava tudo para as festividades do Solstício de Inverno, um fenómeno astrológico que marca o início da estação. Queria impressionar os seus amigos druidas com algo espetacular. Assim sendo, fechou-se em casa para preparar uma nova poção mágica. Contudo, o barulho dos gauleses estava a incomodar a sua concentração. Eles passavam a maior parte do tempo a comer ou a discutir, só parando quando tinham de lutar contra os romanos. Os almoços duravam horas: comiam de boca aberta, falavam e gritavam enquanto mastigavam. — Seria fantástico que tivessem, nem que fosse por alguns momentos, boas maneiras — disse Panoratix para Ideiatix, que estava aos seus pés tentando dormir a sesta, deitado sobre um ramo de azevinho. De repente, teve uma ideia. Despejou tudo o que tinha no caldeirão pela janela, diretamente sobre os seus canteiros de rosas, que reagiram de forma especial à poção, ficando com cabelo. Depois, lavou o caldeirão e começou a misturar pós, águas,...

Não quero ir!

Uns dias antes do Natal, na oficina do Pai Natal, estava quase tudo pronto. Os duendes tinham respeitado a lista de prendas dos meninos, e as prendas estavam todas já dentro do saco mágico. Bem, todas, todas, não! Algumas prendas saltaram de lá de dentro e esconderam-se atrás de um carrinho de mão de um duende. — Eu não quero ir! — dizia uma prenda. — Tens razão, vamos para quê? — repetia outra. E assim, este conjuntinho de prendas ficou num montinho a reclamar. Na véspera de Natal, o velho de barbas brancas pegava na enorme lista de prendas e conferia se não tinha faltado nada. Nesse ano, faltavam algumas prendas. — O que se passou? — perguntou o Pai Natal aos duendes. Eles não sabiam. Tinham feito todas as prendas e posto no saco mágico. O Pai Natal acariciou as barbas e colocou os seus óculos mágicos, que sabiam tudo o que se passava em todo o lado. Bastava ele pensar na pergunta. O velho de barbas brancas encaminhou-se para o carrinho de prendas do duende e sentou-se ao pé delas. —...

As manias de Tomé

Era uma vez um ouriço-cacheiro chamado Tomé, que vivia num tronco de árvore, num bosque, com os seus pais. O Tomé era muito, mas muito comichoso. Todos os dias, antes de ir para a escola, experimentava várias escovas para os pêlos da barriga. Gostava de os ter bem lisinhos e arrumados. Calçava várias meias e ténis até ficar com os pés simplesmente perfeitos... pelo menos naquele dia, porque, no dia seguinte, a solução já poderia não ser assim tão perfeita. Estas manias cansavam a sua mãe, que ficava todos os dias à sua espera. — Estas meias já não prestam, mãe! Estragaste-as a lavar! — Esta escova é horrível, mãe! Tens de fazer outra! — Odeio estes ténis! Dizia o Tomé, todos os dias. Os pais faziam tudo para acomodar as suas vontades. A avó tricotava meias novas todas as semanas, e a mãe fazia uma escova de picos de silva várias vezes. As rotinas repetiam-se. Certo dia, o Tomé brincava no quarto. Fingia ser um super-herói e imaginava que o Super-Picos, o seu boneco preferido, lutava co...

A bruxa com chulé

( ilustração criada com ajuda da inteligência artificial) Era uma vez uma bruxa chamada Alice que vivia num bosque distante. Levava uma vida tranquila, rodeada pelos seus feitiços, numa casinha de madeira. A única altura do ano em que saía do bosque era na noite das bruxas. Nesse dia, vestiu o seu melhor vestido, escovou a sua vassoura preferida e preparou-se para sair. Todas as suas amigas estariam lá, por isso tinha que estar no seu melhor. No entanto, demorou tanto a preparar-se que acabou por se atrasar. Montou-se na sua vassoura e disse as palavras mágicas: — Palhas de aranha e baba de rato, arruma as palhas e voa de jacto! E lá foi ela. Já era Outono e o ar no céu estava frio. De repente, começou a sentir um dos seus pés gelados. Olhou para baixo e percebeu que se tinha esquecido de calçar um sapato. — Ai, meu caldeirão! O que será de mim? Já não tenho tempo de voltar atrás. Vou para a festa descalça. Alice ficou bastante preocupada, não só por ir descalça, mas também porque tinh...

Jogo de sustos

A noite mais desejada do ano estava a chegar. O zombie Trapos, o fantasma Sopro e o esqueleto Ossos estavam a preparar tudo. Ia ser uma noite de muitos sustos e partidas. Trapos estava entusiasmado: – Vamos fazer um jogo! – Qual jogo? – perguntou Ossos. – Aquele que conseguir mais gritos arruma o sótão da casa assombrada durante um mês! Então assim foi. Trapos fez tudo para parecer ainda mais assustador: esfarrapou mais a roupa, arrancou mais uns cabelos e rebolou na lama, ficando num estado deplorável. Ossos, após pensar muito, resolveu aprender a desencaixar e encaixar a cabeça. Estava a imaginar-se a aparecer à frente das crianças com a cabeça na mão. Restava o Sopro que, simplesmente, não podia fazer nada. Ele era quase invisível. O que poderia fazer? Pensativo e muito triste, Sopro refugiou-se no seu sítio preferido: o telhado. Não sei se vocês sabem, mas os fantasmas só são visíveis quando querem. Contudo, existe um ser que os vê sempre: os gatos. E Sopro tinha um amigo vivo, o B...

A história da macaquinha Nanas

Era uma vez uma macaquinha chamada Nanas que vivia com os seus pais numa árvore do parque florestal. Todos os dias, brincava com os seus amigos e com a sua mãe. Gostavam muito de construir coisas com as folhas e ramos da árvore, inventar histórias e jogos. Um dia, a sua mãe, ao tentar apanhar uma folha, desequilibrou-se e magoou-se. Caiu da árvore abaixo e espetou um ramo na sua barriga. Por causa disso, teve que ir ao veterinário do parque, que decidiu que ela precisava de uma cirurgia para tirar os restos do ramo. A Nanas ficou sem a sua mãe. Naquela noite, a macaquinha tentou adormecer, mas faltava a história, o mimo e até a canção que a sua mãe costumava cantar, que já não ouvia há algum tempo e que lhe apetecia ouvir. O seu pai contou uma história e deu muito carinho, mas não era suficiente. – Pai, sinto falta da mãe! – dizia a Nanas. – Eu sei, minha querida. É só por uns dias. Não tarda, está cá outra vez. – Pai, e se ela não voltar? – Claro que volta! – Pai! – Sim, filha? – A mã...

A bola de trapos do Pantufas

O Pantufas adorava a sua bola de trapos. Eram inseparáveis. Tinha-a desde que era gatinho. Dormia e brincava com ela todos os dias. Sempre que o Pantufas estava feliz, a bola rebolava e saltava nas suas patas. Quando o gatinho estava triste, enroscava-a nas suas patas para se sentir melhor. Contudo, nos dias em que estava enfurecido ou aborrecido com alguma coisa, mordiscava e arranhava a bola até à exaustão. O tempo foi passando e a bola começou a apresentar sinais de desgaste. Certo dia, o Pantufas não dormiu bem. Quando acordou, estava rabugento, cansado e irritado. Pegou na sua bolinha de trapos e tentou brincar, mas, em vez disso, a fúria falou mais alto, e arranhou-a com toda a força. Os pedaços de trapos não aguentaram e a bola rasgou-se, deixando sair do seu interior um manto branco e fofo. O Pantufas ficou estático, a olhar para a bolinha esventrada. Não queria acreditar que a sua amiga e companheira tinha ficado assim. Agarrou a sua bolinha e levou-a na boca à sua dona, que, ...

É muito chato o Sol

 Certo dia tens alguém para cuidar, Alguém mais importante para ti que tu própria. Dormir deixa de ser importante, Comer passa a ser secundário, Os outros parecem não existir.   Podia ser de outra forma? Se calhar mas quem o consegue? É um ser que depende de ti, Sem ti não vive. Tu és o Sol dele e ele a tua vida.   Os dias passam, os meses e os anos, Até que…um dia tu deixas de ser importante, Há mais planetas na vida daquele ser, Cuja a vida não é apenas tu, Mas que continua a ser a tua vida.   E agora? O ser luta para te deixar, E tu lutas para que a tua vida fique. Vazio, tristeza e solidão.   Ficas só no meio da multidão, Ficas gelada por dentro, Sem rumo, perdida.   Aquele: Mãe, queres brincar? É substituido com: A que horas posso sair? O : Adoro-te mãe! É trocado por: És uma chata, não me deixas fazer nada! E assim, aquele pequeno ser descobre que o sistema solar é imenso, cheio de outros pla...

Chuva de letras

Certo dia o João acordou, olhou pela janela e não queria acreditar. As ruas estavam cobertas por um granizo estranho. Não eram pedras nem pedrinhas mas sim letras. Imensas letras maiúsculas e minúsculas umas em cima das outras. Correu para o quarto dos pais: -Mãe, pai, estão a cair letras do céu! Os pais, ainda meio a dormir, acharam que João tinha estado a sonhar. -João meu querido! Estiveste a sonhar! – disse a mãe. -Não mãe! Juro! Vai à janela. A mãe para terminar o assunto, abriu os estores e ficou abismada. Afinal o filho tinha razão. Correu para agarrar o telemóvel e fotografar a paisagem, mas a definição da câmara não permita distinguir o que era. Via-se apenas um manto branco. Desceu as escadas com a câmara ligada, mas quando abriu a porta as letras haviam derretido. O pai lá se levantou para ver o que se passava e já não viu nada. -Vocês ainda estavam a dormir! As letras não caem do céu! Prosseguiram com as rotinas matinais e saíram de casa. Hoje era o di...

O amanhã do relógio

 Era uma vez uma lagartixa pequenina, que tinha acabado de aprender as horas. Tinha sido muito difícil, mas lá ia acertando nas horas e nos minutos. -Mãe, já sei as horas! Já sei as horas! – cantava a lagartixa. A mãe mais preocupada em arranjar pequenos insetos para comer achava que aquela vontade da filha em saber as horas completamente desnecessária. -Mãe, sabes o que é o amanhã? A mãe lagartixa, já habituada a estas perguntas lá respondia. -Quando o sol dormir e acordar outra vez! -Mas mãe, são duas voltas, são duas voltas! A mãe nem queria saber, só pensava no que iria caçar para jantar. Corria de um lado para o outro. -Vai ver se caças umas moscas que o dia passa mais depressa! A pequena lagartixa não percebia. O tempo era o tempo e um dia na cabeça dela ,agora, eram duas voltas ao relógio. Enquanto jantavam, no canto do teto do sótão onde viviam, perguntou, mais uma vez, a lagartixa: -Mãe? Quantas voltas do relógio vais viver? A mãe sempre, a pensar n...

Quim, o pato desastrado

  Era uma vez um patinho chamado Quim que gostava muito de brincar e de aprender coisas novas. -Quim, tens de te vestir e calçar sozinho! - Repetia a sua mãe todos os dias. O patinho lá ia fazendo ao seu ritmo, mas custava-lhe algumas coisas: apertar os sapatos era difícil, pentear uma complicação e vestir um casaco um drama. Certo dia chegou à escola e foi para o recreio brincar com Tim, o galo.   -O que te aconteceu Quim, tens os sapatos trocados. Não sabes calçar-te! O patinho nem tinha reparado e ficou triste. Sentou-se no chão, descalçou-se e voltou-se a calçar. Não muito feliz com o comentário de Tim decidiu procurar a sua amiga Leia, a coruja, que, assim que viu desatou-se a rir: -Ah! Ah! Ah! -O que foi? – Perguntou Quim. -Estás todo despenteado. O Quim não se sabe pentear! Ah! Ah! O patinho enroscou a cabeça nas asas para alisar as penas e seguiu caminho. Entretanto a Educadora   Mia,a galinha chamou os pequenos animais para junto de si. Qu...

Oli, o ouriço que só queria brincar

 Era uma vez um pequeno ouriço chamado Oli que vivia num bosque com a sua família. O Oli tinha vários amigos com quem gostava de brincar às escondidas nos buracos dos troncos e nas tocas dos coelhos. O seu petisco preferido eram as lagartas dos troncos velhos. Como todos animais pequeninos ainda estava a aprender a descobrir o mundo que o rodeia e acima de tudo ainda andava a tentar perceber o que as vezes sentia. Certo dia, acordou e estava muita chuva e frio. Perguntou à sua mãe se podia ir brincar às escondidas com os seus amigos mas, a mãe não o deixou. -Está muito frio meu amor! Vais ficar doente! -Mas eu quero ir, quero muito! -Não podes! O pequeno ouriço sentiu-se tão triste e tão chateado que explodiu de raiva: -Tu és má mãe! Nunca me deixas fazer o que eu quero! -Oli! Sabes bem que não é verdade! -É sim! Já não gosto de ti! A mãe ouriço sentiu que lhe estavam a espetar picos no coração ao ouvir aquilo mesmo sabendo que no fundo era apenas um acesso ...

Halloween das princesas

  Era uma vez uma princesa de cabelos negros e pele branca que se chamava Branca de Neve. Um dia resolveu convidar as suas amigas princesas para um chá na casa onde vivia, a dos sete anões. Sentia-se sozinha quando eles iam para as minas e o tempo fresco de Outono convidava a estas coisas. Convidou a Cinderela, a Bela Adormecida e a Rapunzel para virem a sua casa às 5h da tarde. Assim que os anões saíram, a Branca de Neve fechou-se na cozinha a preparar o lanche. Fez pão fresquinho, bolos e bolachas. A primeira a chegar foi a Cinderela, que chegou toda despenteada e cansada: -Olá, amiga! -Que se passa Cinderella? Vieste a pé? A carruagem?   -Oh, querida! Nem me fales. Não consegui arranjar nenhuma abóbora para a fada transformar em carruagem. Estavam todas cortadas para o Halloween. Vim a pé. A segunda a aparecer foi a Rapunzel que chegou com a trança cheia de folhas. -Olá, Branca de Neve! -Mudaste de penteado Rapunzel? -Nada disso! Como a bruxa tem andado ...

O pequeno Duende e o azevinho de Natal

No meio de um bosque húmido, num pequeno buraco, junto a um cogumelo vermelho vivia uma família de duendes. Estava a aproximar-se o Natal e o pai Duende preparava-se para partir à procura do azevinho de Natal. Os duendes não decoram árvores de Natal. Recolhem com cuidado azevinhos na floresta e plantam-nos em vasos, durante alguns dias, em casa. Depois do Natal devolvem-no à natureza. -Pai, posso ir contigo? - Perguntou o filhote Duende. -Não! Isto é um passeio demorado e muito perigoso. A floresta está cheia de perigos e animais ferozes. -Mas, eu quero! Já sou crescido! -Não podes! Não irias aguentar a caminhada! -Mas, eu quero! - Retorquiu o filhote, já em pranto e com uma grande birra! O pai, cansado, lá cedeu e os dois partiram. Passados alguns minutos o pequeno Duende começou a perguntar?  - Já está? Onde há azevinhos? Estou cansado! -Ainda não achei! Eu avisei que a caminhada seria longa - E lá continuaram. Cansado, o pequeno Duende começou a trocar os pés e a ficar desatento...

O Halloween invisível

Era uma vez um fantasma a quem os amigos resolveram fazer uma festa do dia das bruxas no dia do seu aniversário. Os amigos montaram um corredor de espelhos que deformam o reflexo e um cenário na entrada da festa para tirarem fotos assustadoras. Contudo, o pequeno fantasminha ficou num canto da sala enquanto os seus amigos se divertiam. Passado algum tempo, chegou ao pé dele uma bruxinha e perguntou-lhe: -Estás a gostar da festa? -Nem por isso. -Porquê? Este ano está tão gira. Já fizeste caretas aos espelhos. É tão divertido. Já experimentaste? -Não. -Anda lá! É muito giro. Os monstrinhos, bruxas e até os lobisomens estão a adorar. -Não. Obrigado! -Está bem!- Respondeu a bruxinha. Passado algum tempo apareceu uma múmia: - Então fantasminha? Não te vens divertir? -Não. -Estamos todos muito intrigados. O fantasminha levantou-se e passou diante de um espelho e ninguém o viu. Depois tirou uma foto e não aparecia na imagem.  Nesse momento, todos perceberam que pensaram apenas em como se ...

Fatias de amor dourado

Há muito, muito tempo numa terra distante vivia um Rei com uma filha muito bela, tão bela que não havia mais nenhuma mulher com tamanha beleza nas redondezas. O Rei não tinha mais família senão a sua bela filha e protegia-a com todas as suas forças impedindo-a de sair do Palácio. A Princesa cresceu rodeada pelos criados e criadas do reino não conhecendo mais ninguém. A única pessoa estranha ao Palácio autorizada a entrar era o padeiro pois a cozinheira real não era dotada para fazer pão e bolos e a princesa adorava pão. Todos conheciam o Sr. António, o padeiro, que de madrugada chegava na sua carroça com preciosos manjares quentinhos do seu forno a lenha. Certo dia de Inverno,l o Sr. António adoeceu e a entrega diária ficou comprometida. Não teve solução senão enviar o seu filho mais novo, aprendiz de padeiro, entregar a sua deliciosa encomenda. -Miguel,  vai com cuidado e entrega esta carta ao guarda! Não dirijas palavra a ninguém, ouviste? O Rei é a nossa principal fonte de...

Amizade asna

Um burro ia sempre para junto do muro sempre que um velho passava. O idoso nunca lhe ligava nenhuma. O asno estava preso ao pedaço de terra rodeado por um muro de pedras e o velhote passava ali porque tinha que passar que ir à Horta. Ia lá todos os dias nem que fosse juntar umas folhas caídas na noite anterior. Era uma forma de ocupar os seus dias. Certo dia o velho passou lá e o burrico não apareceu. Estava deitado à sombra cabisbaixo. O idoso achou estranho e aproximou—se do muro. O burro olhou para ele mas não se mexeu. O velhote lá foi à horta e regressou.Passou pelo muro e o burrico não se tinha mexido. Intrigado, deu por si a perguntar: —Estás doente? —Não. Respondeu o asno. —Então porque não me vieste ver? —Oh, porque todos estes anos te fui visitar e tu nunca percebeste o que eu queria. — Não vinhas ao muro para me ver? —Sim e tu algum dia o fizeste...

O orfanato das maças

-Mana, lá vem uma morena agora! Parece simpática!....Apanhou-me, yuppie! Oh! Não foi desta! Olhou para as minhas manchas! Deve ter sido! Se tivesse a pele lisa e sem estas manchas castanhas levar-me-ia! -Olha, agora vem uma mãe de família! Que linda pequena filha ela tem! Dava uma boa companhia de brincadeira! Oh! Não me levou porque sou gorda demais! Se fosse maneirinha como aquelas ali do lado! -É agora mana! Vem lá uma Hippie gorducha! Elas de certeza que não se importam com os defeitos dos outros e como é mais cheinha vai-me levar de certeza! Oh! Não me quer porque não pareço natural! -Mana, passou mais um dia e nós aqui ficámos! Os dias passam, pegam em nós, acariciam-nos e até chegam-nos  a cheirar para confimar se somos perfumadas mas nunca nos levam. Se elas soubessem o que custa ficar aqui, ser rejeitada! Não nos peguem! Ignorem-nos! Não precisam de nos criar expectativas e depois voltarem-nos a por no mesmo sitio. Não sou perfeita! Tenho manchas e sou rechonchuda m...

Árvore da confiança

A oportunidade bate à porta da insegurança e diz: -Preciso da tua ajuda para apanhares as folhas do meu jardim! A insegurança espantada diz: -Ãh? -Não queres ajudar? -Quero! Achas que consigo? -Tens duas mãos? -Tenho! -Consegues baixar-te? -Consigo! -Então, porque não conseguirias? -Sei lá! Tenho medo! -Medo de quê? -Medo de não apanhar as folhas todas, por exemplo. -E daí? -Daí não te ajudaria por completo e ficarias triste comigo! -Então também ficaria triste com a árvore! -Porquê? -Porque por cada folha que apanhares deixa cair outra logo a seguir e se eu não confiar que tu apanhaste as que encontraste será como se tu nem passasses por lá para me ajudar!