Avançar para o conteúdo principal

O Brinquedo de Tuca

imagem: net





-Humm! Aqui! Olha acolá! – Andava o Troti, de peito cheio e emproado a comer migalhas junto à porta da padaria da Av. da Igreja em Alvalade.
Sossegado e a coxear, o Tuca, andava aos círculos em volta de si mesmo. Não podia andar muito, logo restringiu a sua busca àquele pedacinho de passeio.
-Estou farto de comer! Olha ali, outra! – Gabava-se Troti.
Tuca contentava-se com o pequeno espaço. Olhando muito bem o chão aonde pisava.
De repente, olhou e viu algo brilhante, mesmo por baixo das patas de Troti que, com a agitação, não viu. Deu uma bicada! Tinha achado um brinquedo. Olhou para o amigo e, com medo que este lho roubasse, agarrou-o e levantou voo. Tinha comido o suficiente para o resto do dia. Além disso, o entusiasmo por ter um brinquedo novo tirou-lhe o apetite.
Troti, quando olhou à sua volta. Estava sozinho.
-O coxo já se foi embora! Olha mais sobra!
No final do dia, no telhado do prédio da Av. de Roma aonde dormiam os dois. Troti, rebolava-se no ninho, mal disposto e quase sem se conseguir mexer. Alguns metros à frente, ouvia grandes conversas e risadas.
A curiosidade fê-lo levantar-se e muito, mas muito vagarosamente foi ver o que se passava. O peso da sua pança, impedia-o de fazer muitos esforços.
A agitação estava toda à volta do ninho de Tuca. Ele, agora, tinha um colar ao pescoço, extremamente brilhante, que causava admiração a todos os seus amigos e vizinhos.
-Onde achaste isso, Tuca! Estive o dia todo contigo? – Exclamou Troti.
-Foi naquele pedacinho de passeio que andei!
-Não vi!
-Claro que não! Só olhavas em frente. Passaste mesmo por cima dele!
Muito deprimido e desapontado consigo mesmo, resolveu regressar ao ninho para acabar de fazer a digestão difícil que tinha pela frente.

A felicidade não está em querer tudo, mas sim em dar valor ao que se têm. Por vezes, a ambição de procurar sempre mais, impede-nos de olhar para o chão por onde andamos todos os dias e reparar nas riquezas que pisamos.

Comentários

Eva Gonçalves disse…
As tuas fábulas davam um livro infantil... :)) É verdade, a felicidade está em conseguirmos agradecer o que temos...e não querer mais do que isso :)) Beijinho
Unknown disse…
Sem Dúvida, às vezes esquecemo-nos de dar valor ao que temos :)
Muito obrigado. Estou a pensar nisso.Beijinhos

Mensagens populares deste blogue

Vou sentir a tua falta...

Ao longo destes nove meses, foste a minha companheira inseparável! Foi uma oferta de uma amiga minha, num fim-de-semana: -Vamos trocar pulseirinhas?-disse ela. - Claro, mas a minha tem que ser laranja, que é a minha cor preferida. - Tens que pedir 3 desejos! -Hummm, ok... O tempo passou e cá estou eu. Hoje, ia eu no meu Bolinhas (viatura:-)) e ops...É agora, é agora!!!!:-)))) Não vos vou poder divulgar os desejos nem se eles se concretizaram mas, acho que, uma companhia tão fiel, durante tanto tempo, merecia esta homenagem:-))) PS.: Já agora, alguém sabe o que se devo fazer aos "restos mortais" da minha companheira?:-)))

A sorte existe

Há pessoas que parecem ser bafejadas por um vento fresco de sorte. Acham o primeiro amor, ao primeiro encontro, Esbarram com o emprego de sonho ao primeiro acordar, Põem um trapo qualquer e parecem fantásticas, Acordam despenteadas e lindas, Enfim, abrem a caixa e encontram o doce. Outras vivem numa luta constante, Entre amores e desamores até acharem o tal, Entre saídas e entradas de empregos e nunca é aquele, Nem toda roupa fica bem e aliás alguma torna-as umas peixeiras, Ao acordar parece que viram um bicho papão durante a noite, Enfim, abrem a caixa e encontram umas migalhas que alguém deixou e tem que ir ao supermercado procurar o doce. Chegam lá e está esgotado!:)