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Topas, o oftalmologista

imagem: net


Topas, era um coelho, que se tornou-se famoso depois da descoberta de uma especíe de óculos com lentes que permitiam ver no escuro e melhoravam a visão. Encontrou um cristal plano numa toca, junto a uma mina abandonada pelos humanos que tinha essa capacidade.

Todas as toupeiras que ainda possuíam alguma visão passaram a tê-la bastante melhorada e passaram a ser os seus principais clientes. Em troca dos seus serviços, apanhavam comida para a família do coelho.

Sua família, entretanto, deixou de procurar comida passando a viver à custa da descoberta de Topas.

O excesso de comida era enorme e numa noite a família reuniu-se, pois tinha que ser tomada uma decisão:

-O que vamos fazer a tanta comida? É um desperdicio!- falou o avô coelho.

-Eu acho que devíamos usar uma parte para trocar por uma casa maior. E com uma casa maior já se vai poder armazenar o resto. A que se estragar, deita-se fora. Não volto a trabalhar, adoro esta vida!- sugeriu a sua irmã, ambiciosa e preguiçosa.

-Podíamos trocar por vestidos e fios! - era a opinião da mãe que sempre sonhou ser mais nova ebonita.

Topas franziu o sombrolho e ficou triste. Tantas horas de trabalho a escavar túneis à procura de minerais para conseguir dar o melhor a sua família e criou um grupinho de acomodados.

-Topas, Topas, tenho uma ideia!- referiu o primo Orelhas.

Ficaram todos espantados. Aquele familiar bronco, que veio do campo e nem se sabia vestir, tinha falado.

Orelhas foi acolhido por Topas, aquando a morte da sua familia durante uma caçada, no entanto era tratado como empregado pelas coelhas vaidosas.

-Tem uma ideia? Ah! Ah! Devias era estar na cozinha a fazer o jantar-Gozou a irmã.

-Orelhas, qual é a tua ideia? - perguntou Topas.

-Porque não criamos um sistema de troca destes produtos por outros mais raros. Tipo um molho de cenouras por uma batata doce, não muito comum nestas zonas. Passaríamos a ter alimentos diferentes. O restante podiamos dar aos nossos vizinhos doentes. Há muitos coelhos a serem apanhados em armadilhas e a ficar coxos, sem possibilidade de apanhar comida.

Topas, sorriu e achou uma brilhante ideia.

O sistema foi implementado e foi um sucesso. Orelhas e Topas passaram a ser benfeitores e o que ganhavam todos os dias com os olhares agradecidos fazia-os andar mais felizes que nunca. Viviam rodeados de amigos.

A sua família, continuou a não querer a fazer nada, vivendo fechada no seu mundo de futilidade, contudo nunca conseguiram obter o que os primos haviam alcançado, o sentimento de utilidade por ajudar o próximo.

Comentários

Eva Gonçalves disse…
Nada como abrir os olhos e ver mais longe :)Acomodem-se com futilidades usando palas, em relação ao que vos rodeia e vê-de a visão definhar até ficarem ceguinhos de todo... :) beijinhos

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