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Amor Próprio

-Hei lá, giraça! Como te chamas? Não falas?
Perguntava Tuco, a uma piriquita que via à sua frente, do outro lado do espelho que tinham colocado na gaiola.
-És timida? Deixa linda! Eu gosto de mulheres caladas.
E continuava, sem obter resultados.
-Mulheres! Só se conquistam com mimos! - Falou para as suas penas, muito baixinho.
Saltou do seu poleiro e agarrou-se às grades da gaiola. Junto a estas barreiras de metal, do outro lado, estava uma planta. Sabia que sua humana iria ficar chateada, mas valores mais altos se levantavam. Esticou a sua cabeça por entre os metais e cortou uma flor com o bico.
Esvoaçou para o poleiro.
-Toma minha linda!
Tentou, sem sucesso ,dar-lhe a flor. Algo o impedia.
-A tua gaiola é pior que a minha! Não te consigo tocar!
-Aceitaste-a! Gostas de mim?
Do reflexo apenas viu um acenar de cabeça.
-Ai, sou correspondido! Já não estou só! Ela é linda. - Gritou Tuco, aos pulos de alegria.
Assim, se criou uma relação separada por uma barreira que não impediu aquele coração solitário de se entregar.

Quem não tem noção de si próprio, exactamente como é, acaba por apaixonar-se por aquilo o que sonha ver!

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