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Bigodes o Garimpeiro

imagem: net
- Ouro e prata procuro, no meio dos mares vasculho! Trauteava o Bigodes, um camarão, ainda jovem, de rocha em rocha.
O Bigodes sempre foi muito curioso e aventureiro. Na altura de escolher a profissão, dada fase de crise no Oceano, optou por ser garimpeiro. Viu nas pequenas partículas de metais preciosos a solução para a situação financeira desfavorável lá de casa.
Além das pequenas peças naturais, existentes entre as rochas, dedicava-se também ao negócio paralelo, com o seu amigo Patas, o caranguejo: a descoberta de objectos perdidos pelos humanos nas praias.
Esta última actividade era muito perigosa, por causa das correntes mas, compensava. As tarefas estavam repartidas: Bigodes usava a sua curiosidade e perspicácia para achar as peças e Patas, toda a sua armadura e força para as carregar até à Gruta do Ventosas, o polvo.
Numa das suas procuras pela praia, Bigodes encontrou um cão a nadar pelas ondas com algo brilhante no pescoço. Nunca tinha visto nada assim. O Sol reflectido através da espuma fazia-o o brilhar ainda mais.
- Patas, Patas, vês o que eu vejo? Tão bonito! O Ventosas devia dar uma boa quantidade de peixe por aquilo.
- Está no pescoço do cão.
-E se eu fosse até lá pedir-lho?
-Estás doido? Ainda te come!
-Vou tentar!
O Bigodes nadou até ao focinho do cão, que havia parado em águas mais baixas e calmas.
- Olá! Sou o Bigodes e tu?
- Tão pequenino que és! Eu sou o Ossos. Estou cansado. Não gosto nada de água!
- Não gostas! Então porque vens para aqui?
-É o meu humano que me obriga. Atira a minha bola preferida para o mar e eu tenho que correr buscá-la.
-Porquê? Não tens outras?
-Tenho, mas temo se eu não for rápido, ele me abandone. Ele já brinca tão pouco comigo. Sabes, ontem conheci um cão na porta do Hotel que procurava os donos. Eles tinham parado o carro, no dia anterior, numa estrada ali ao pé, atiraram a bola dele para longe e ele correu atrás. Só que foi muito lento porque quando voltou os donos já tinham partido. Devem ter ficado tristes com ele.
Bigodes, esfregou as antenas e achou a história muito estranha.
- Os donos desse animal não ficaram tristes por ele não ter trazido a bola a tempo. Eles já não deveriam gostar dele.
- Achas?
-Sim, porque quem gosta não fica triste pelo outro não chegar a tempo mas sim quando não chega.
-Ahhh! Obrigado! Vou deixar de ir buscar a bola quando estou cansado!
-Sim, fazes bem! Tens é que mostrar ao teu humano que o fazes por estar cansado e não porque não gostas dele. Que tal, sentares-te ao pé dele com olhar carinhoso?
-Boa ideia! Como posso retribuir-te o favor?
-Podes dar-me o teu brilhante?
-A chapa da coleira, com forma de osso?
-Sim, esse objecto que tens ao pescoço e que brilha muito.
-Podes levá-lo! Até agradeço. Sinto-me ridículo com este brilho. Preferia umas belas festas na barriga ou um osso gigante verdadeiro.
Bigodes e Patas levaram o osso ao Ventosas que os recompensou com o melhor peixe fresco que havia na sua gruta.

Os que não precisam da riqueza para sobreviver geralmente esquecem-se do principal objectivo das oferendas que dão e do que é de facto mais importante. Quem nada tem e se esforça por sobreviver, mesmo com os restos dos ricos, possui o maior bem de todos: O valor das coisas e dos sentimentos!


Comentários

Unknown disse…
Gosto mesmo muito da maneira como escreves e do que escreves :)
Obrigado Phil

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