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O pessimismo das ideias

Uma Notícia andava a passear na rua da imaginação olhando as montras de Ideias por onde ia passando.
A proximidade da Verdade fazia com que houvesse muita agitação. Os Pensamentos iam de Ideia em Ideia à procura do facto ideal.
A Notícia entrou numa primeira Ideia que lhe queria vender um facto muito mau.
-Isso é péssimo! – Exclamou.
Saiu daquela Ideia e continuou pela rua espantada com a quantidade de Pensamentos que lá compravam os seus factos.
Uns metros à frente outra Ideia, com muita procura, fez despertar a sua curiosidade:
-Credo! Isso é horrível! Nem pensar!
Esta Ideia tinha tanta adesão que as filas de Pensamentos para pagar eram incríveis. Não queria acreditar mas as Ideias mais pessimistas eram as mais procuradas.
Contudo, a sua esperança não a fez desistir e prosseguiu. Já não restavam muitas Ideias. Os seus pés já lhe doíam de tanto andar.
No final da rua, ao fazer esquina, estava uma Ideia sem ninguém com uma montra normalíssima. Parecia igual a todas mas sem nada de mau ou péssimo. Foi esta característica que fez despertar a sua atenção. Resolveu entrar. Lá dentro estava uma Ideia sentada arrumar os factos com calma e descontração:
-Boa tarde! O que deseja!
-Eu queria um facto para a Verdade. O que tem?
-O que tenho está nestas prateleiras.
-Sim mas queria algo de diferente e não me diga que só tem coisas más. As últimas Ideias que vi eram demasiado horríveis.
-O que procura está no andar de cima. Pode subir.
A Notícia subiu umas escadas com imensos degraus. Quando chegou ao cimo encontrou uma sala vazia e sem janelas. Desapontada, voltou a descer para perguntar à Ideia o que se passava:
-Desculpe, mas eu subi as escadas e lá em cima havia uma sala sem nada.
-Sim! É isso mesmo!
-Está a brincar comigo? Eu vim aqui a procura de um facto para a Verdade e você fala-me que não tem nada. Vou-me embora.
-Você é que sabe!
-Não quer vender é isso?
-Minha cara Noticia eu só vendo factos tal e qual eles são.
Ia a sair quando entra uma Ideia Comum. Como não havia ninguém, aguardou na entrada fingindo que lia um facto numa estante. A visitante entrega um envelope branco à Ideia.
A Notícia, cheia de curiosidade virou-se e aproximou-se:
-O que recebeu! Quem era a Ideia Comum?
-Minha cara Noticia! A Ideia Comum como lhe chama era a Verdade.
A Notícia ficou estática. Ia tarde demais.

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