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As prendas de Tito, o rato

Numa casa vivia uma família de ratos com dois filhos. Uma ratinha muito bem comportada e estudiosa e um ratinho mais espigadote.
-Meus filhos, esta noite ninguém sai de casa!
-Porquê pai? Os humanos têm a cozinha cheia de coisas boas e a despensa nunca teve tantos frutos secos e queijos.
-Tito, fazes o que eu digo e não reclamas!
Era noite de Natal e todos foram-se deitar mais cedo. Os ratos não comemoram o Natal e os pequenos nem sabiam o que era e como não podiam sair da toca, foram para a cama antes da hora do costume.
Tito dava voltas na cama a questionar-se porque é que não poderia sair naquela noite. Nunca havia acontecido no seu quase um ano de vida.
A curiosidade apertava e o seu estômago sonhava com as iguarias que tinha visto na despensa na noite anterior e que não tinha podido comer.
Esperou que todos adormecessem e saiu da toca sem fazer barulho.
Ao chegar cá fora, uma luz intermitente brilhava na sala e atraiu-o para lá.
A mesa da sala estava cheia de iguarias. Havia imensa comida e muitas migalhas no chão. No canto havia uma planta com luzes.
Correu para debaixo da mesa e começou a comer, passas, nozes, pedaços de queijo esmigalhado, bolo e muito mais. Comeu, comeu até não aguentar. Quando ficou farto e queria ir para casa não conseguia levantar-se. O peso na barriga era enorme.
Os seus olhos começaram a pesar e adormeceu.
De repente, acordou sobressaltado com um barulho de uma queda. Abriu os olhos rapidamente e viu um rabo gordo e vermelho a tentar sair da chaminé.
Ficou assustado mas não conseguia levantar-se. Só havia uma solução: ficar ali e rezar para que o dono daquele rabo gordo e vermelho não o visse.
Passados uns momentos, o humano que tentava sair da lareira conseguiu libertar-se. Era um humano, velho, muito grande, barbudo e gordo. O seu coração batia de medo.
O barbudo de vermelho trazia consigo um saco enorme. Tito pensou: “Ele vem roubar a comida!”. Contudo os seus receios não se realizaram, o velhinho tirou uns embrulhos de dentro do saco e colocou debaixo da planta iluminada. Deveriam ser ratoeiras.
-Que horror! – Pensou.
Depois aproximou-se de uma pequena mesa de centro aonde estava um copo de leite e bolachas com chocolate. Comeu e bebeu. Virou-se e voltou para o pé da chaminé.
Tito começava a respirar de alívio, pois o humano barbudo não tinha comido tudo nem lhe tinha feito mal. Tentou mexer uma perna para ver se conseguia sair dali. Ao faze-lo pisou uma migalha de pão estaladiça e fez barulho.
O velhote de vermelho voltou-se e olhou para o pequeno ratinho.
-Vou morrer! – Disse baixinho.
-Não vais não, Tito!
-Como sabes o meu nome?
-Eu sei tudo!
-Sabes? Vais fazer-me mal?
-Não, eu não faço mal!
-Ai não! Então porque entraste à socapa nesta casa pela chaminé e colocaste ratoeiras para os humanos?
-Ah! Ah! Ah! – Riu-se o velhote de vermelho.
-Ainda te ris? A tua sorte é eu ter a barriga demasiado cheia senão…senão…tinha-te dado uma dentada nesse rabo gordo!
-Ah! Ah! Ah! Tito, aquilo não são ratoeiras, são prendas! Eu sou o Pai Natal!
-Pai Natal?
-Sim, eu todas as noites de Natal, vou as casas dar prendas para as crianças.
-Ah! O que é uma prenda?
-É algo que te dão porque gostam de ti!
-Ah! Então eu não preciso de ti!
-Porquê?
-Eu tenho prendas todos os dias!
-Tens?
-Sim, lá em casa não saímos da toca sem um beijo dos pais, todos os dias.
O velhote esticou a mão e tocou na barriga do ratinho. Tito levantou-se e ficou logo bom.

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