Avançar para o conteúdo principal

A força será a cores?

Uma bola de futebol, arrumada numa caixa, cheia de ar e aos pulos, afirmava:
-Sou pesada e forte! O mundo para mim ou é preto ou é branco, ou seja, ou jogo ou não jogo.
Ao lado, quase invisível, estava uma bola de ping-pong, branquinha e ainda no plástico de compra.
-A vida é simples e os caminhos conhecidos! Nada me afeta.
A bolinha de ping-pong, quase que era esmagada com tanta agitação:
-Oh grande bola branca e preta, podes parar de saltar! És muito grande e estas a esmagar-me!
-Ah! Ah! Quem fala? – Respondeu a bola de futebol, de forma irónica.
-Sou eu, a bola de ping-pong! Aqui em baixo!
-Oh! Desculpa amiguinha! És tão pequena que não te tinha visto! Também só sais para jogar com umas pequenas raquetes! Ah! Ah! Ou melhor não sais porque não jogas. Ainda tás nova! Ah! Ah!
 A pequena bola branca também gostaria de jogar e estava triste. Queria dar outra cor a vida, como a grande bola branca e preta.
De repente, a caixa abriu e uma mão pequenina, de humano, entrou lá dentro. Parecia uma mão de um dos bonecos mas não. Era do bebé, que agora começava a brincar.
A mãozinha agarrou naquilo o que os seus frágeis dedos conseguiram apanhar. A bola de ping-pong saiu da caixa.
A pequena criança não sabia regras de nenhum jogo  mas divertia-se a imitar o seu irmão mais velho. A bola de ping-pong levou pontapés de futebol, palmadas de vólei, “raquetadas” com colheres de sopa de plástico de brincar, serviu de batata para a sopa e de cabeça para um boneco.
Nesse dia, a pequena bola fez muito mais do que jogar e deixar de jogar e o seu mundo tornou-se colorido sem nunca ter sido preto e branco.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Onde está o Norte que eu perdi o Sul?

Vento!!!!Vento!!!! Tu que és forte, viajado no tempo. Por todas as terras passaste, muitas vidas cruzaste, e sem querer mudaste. Diz-me! Onde está o Norte? Perdi-me! O Sul, deixei, algures por onde passei. Responde-me! Se do Sul nada sei, como o Norte acharei?

A vida é feita de pequenos voos

Uma folha de um castanheiro adorava embalar-se ao sabor do vento frio que vinha das montanhas. Vivia no mesmo galho com o seu irmão ouriço. -Uiii! Virada para a direita, virada para a esquerda! – Repetia a folha. -Adorava voar! Ao seu lado, a castanha dentro do ouriço tremia cada vez que era obrigada a sair do sítio. Tinha medo de alturas e estava agarrada à sua casca protetora cheia de picos. -Ai que medo! -Tens medo do quê? -De cair e magoar-me! -Vives numa casa protegida! Eu é que se cair não terei quem me salve! -Então porque querias voar? -Gosto da aventura e de me sentir livre. -Podes te magoar! Não tens receio? -Tenho, mas mesmo assim gostaria de saber como é! -És doida! Certo dia, veio uma enorme tempestade e o galho aonde estava a folha e o ouriço caíram no chão. O impacto foi tão grande que a castanha ficou com a sua casca protetora aberta. A folha sorria de contente pois tinha caído num manto formado por outras já caídas. -Foi fantástico, mana! ...