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A minha fonte

Santo António, cansado de tentar convencer os peixes do mar, resolveu ir para o norte do país. Ouviu dizer que nalgumas fontes havia uns peixes vermelhos muito pachorrentos e pacientes. Pareciam-lhe os ouvintes ideais.
Andou, andou e no meio de um vale estava uma fonte de pedra seguida de um riacho.
As suas pernas já estavam cansadas e resolveu sentar-se. Passados alguns momentos, a ouvir os pássaros resolveu olhar para a fonte para perceber se nela vivia algum peixe.
-Olhai, peixes da terra! – Indagou.
Os únicos ruídos que surgiram foram de umas rãs que tentavam apanhar sol em cima de um nenúfar.
-Olhai, peixes da terra!
De repente, ouviu-se uma voz:
-Sim, o que quereis?
Santo António debruçou-se sobre a fonte para tentar perceber de onde vinha a voz. No mar os peixes vinham ao de cima ouvi-lo.
-Onde você está?
-Eu estou no fundo da fonte!
Espantado, Santo António não conseguia perceber como é que um peixe falava de dentro da água.
-Como é que eu consigo ouvir-vos se estais dentro de água?
-Eu não sou um peixe, sou uma sereia!
Santo António, devotado, benzeu-se:
-Perdão, minha donzela! Não voltarei incomodá-la!
Virou as costas e quando vinha a caminho reparou que ao seu lado estava alguém nos arbustos. Desconfiou e resolveu regressar.
-Minha donzela, o que fazeis numa fonte tão apertada!
-Estou presa! Soltai-me!
-E como eu poderei fazer isso?
-Não posso sair da fonte pois não tenho roupa! Dê-me a sua batina!
Nos arbustos, começou-se a ouvir um riso miudinho como se alguém já não conseguisse se conter.
-Só isso que precisa minha donzela! Assim o farei!
Santo António baixa-se para levantar a sua batina, quando dos arbustos salta um homem com um pedaço de tecido branco em volta do corpo.
-António, não faças isso! Sou eu o João!
Santo António levanta a batina de repente e debaixo tem outra exatamente igual.
-Ah! Era uma brincadeira? Como é que tu tens duas batinas?
-Todos temos duas: uma para os que nos vêm e outra para os que nos querem ver!

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