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Filhó marota


Numa cozinha portuguesa, uma mãe fazia os sonhos para a noite de Natal. A senhora era muito preciosista e gostava deles muito redondos e fofinhos.
-Não quero ninguém na cozinha, ouviram! – Alertava a família.
O seu filho era muito maroto e todos os natais, tentava sempre entrar a socapa para passar o dedo na massa e comer. Atitude que irritava muito a senhora.
Naquela véspera de Natal não era diferente e tirar a senhora da cozinha já era um jogo do pai e do filho. Inventavam factos: parti o vidro, quebrei a jarra da sala, cortei-me a fazer a barba, etc.
No entanto, dificilmente acreditava.
-O que vamos inventar agora pai?
-Não sei, este ano está difícil.
Os homens da casa estavam entretidos na sala quando o filho teve uma ideia:
-A mãe é tão exigente com ela própria que a única coisa que a faria sair da cozinha seria para ela corrigir algo que ela própria havia feito.
-Bem pensado!
-Ó pai, o menino Jesus do presépio não esta virado de cabeça para baixo! – falou com voz alta.
-Olha, agora que falas ainda não tinha reparado!
A mãe, muito ciosa, sai a correr da cozinha e ajoelha-se em frente ao presépio para ver.
Entretanto o filho vai a cozinha e já não havia massa. Já estava fritar na frigideira. Ali a mão estava uma colher e tenta tirar alguma do fogo. Não conseguiu. Tentou várias vezes mas a única coisa que conseguiu foi espalmar os sonhos e dar-lhes uns golpes. Depois de ver a asneira  foi ter com o pai a sala.
A mãe voltou a cozinha e quando viu os seus preciosos sonhos espalmados e golpeados gritou:
-Filhó! – Os nervos eram tantos que acentuou a letra “o”.
O menino foi a correr para a cozinha, olhou para a travessa e disse:
-Que lindos mãe! Fizeste uma receita nova. Disseste que se chamavam Filhó. Deixa-me provar. Hum. Estão deliciosos.
A mãe sem saber o que dizer, sorriu e nessa noite as Filhós fizeram imenso sucesso.

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