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O arroz dos desejos


O arroz doce é de origem origem árabe ou turca, o que adoçou a imaginação:

*****

A alguns anos atrás, a vida no Ribatejo era muito difícil porque as terras estavam nas mãos dos grandes latifundiários. Algures num campo de arroz, no Inverno e na Véspera de Natal, estava um agricultor preparava a terra para a plantação quando, ao cavar, com a enxada encontra um objecto dourado. Muito contente esmera-se para o descavar. Despiu a camisa para esfregar o objecto e retirar a terra barrenta. Quando descobriu que tinha uma espécie de lamparina e ficou muito contente. No entanto, de repente a lamparina salta-lhe das mãos e cai. De dentro do objecto sai uma nuvem de fumo. Passados uns momentos vê-se uma figura de um homem a espreguiçar-se:
-Meu amo, três desejos te concedo pela minha libertação.
O agricultor muito assustado:
-Quem és tu?
-Sou o génio da lâmpada e concedo-te três desejos!
O homem da terra ficou calado durante alguns minutos.
-Não penses demasiado. Pede o que deseja o teu coração!
O agricultor assim fez:
-Quero o arroz colhido para ter um ano descansado, um doce para os meus filhos na noite de natal e uma prenda preciosa e rara para dar a minha esposa.
O génio cruzou os braços, coçou o bigode como se estivesse a pensar e disse:
-Assim seja, hoje à noite terás os teus desejos! Agora deixa-me aqui sozinho – referiu e escondeu-se na lamparina.
O agricultor foi para casa, não muito convencido da história. Era véspera de Natal e queria estar em família.
A ceia chegou. O homem olhava pela janela para ver se alguém lhe deixava algo à porta. No fundo, ainda tinha esperança que os seus desejos se realizassem.
No final da ceia, sua esposa foi ao celeiro buscar os frutos secos para dar aos filhos. Eram as únicas coisas que conseguiam dar: pinhões partidos com muito carinho e figos secos à sombra, debaixo de umas folhas de videira.
-António! António! – Gritou.
O agricultor correu para junto de sua esposa que não conseguia entrar no celeiro porque estava cheio de sacos de arroz. Seus filhos seguiram-no.
-Como? – Perguntou a mulher.
António explicou a história.
Ficaram muito felizes e foram para junto da lareira comer os frutos secos. Quando reentraram em casa ficaram boquiabertos: a mesa estava cheia de travessas de arroz com riscos de um pó castanho. O agricultor aproximou-se e provou. Estava doce e com um sabor muito bom dos grãos que o adornavam.
-António, deve ser aquilo o que apenas os ricos comem: chamam-na canela. É muito rara. É uma especiaria.
O agricultor ficou comovido. Afinal o génio cumpriu o desejado: colheu o arroz, adoçou-o e fez um doce para os filhos e adornou-o com um presente raro para a sua esposa.

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