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O diário do imprescindível


8h - Acorda devagar, toma banho calmamente e sai a correr pelas escadas para dar a noção aos vizinhos que está atrasado;

10h -Chega ao trabalho, espalha papeís sobre a mesa, faz de conta que atende uma chamada e sai para uma reunião urgente. Pega no seu bloco de notas com capa de design profissional e corre. Sai do piso durante uma hora e ninguém sabe dele. Todos exceto uma pastelaria de uma esquina aonde toma o pequeno-almoço;

11h – Chega com ar alucinado a soprar pela boca de quem apanhou uma seca. Liga o computador, vê os e-mails: Pedido urgente: “Ótimo!”, pensa. “Este fica entre as 17h e as 20h”. Pedido para o final da semana: “Este só pego da sexta, agora vou almoçar”;

12h – Sai para almoçar com uns amigos imprescindíveis e regressa as 15h. Encontra um colega no elevador e queixa-se: “Tive um almoço com um cliente chato como tudo! Só me safei agora”;

15h30 – Responde aos e-mails que vieram em CC do chefe para dar ar de ocupado. Aliás, possui telemóvel apenas para este efeito. Os e-mails com CC do chefe são logo respondidos,  a toda a hora;

17h – Inicio da resolução de pedido urgente. Grande atrapalhação na secretária. Corre várias vezes para impressora;

18h – Liga ao chefe a dizer que a coisa está difícil porque faltam dados mas que vai ficar até mais tarde;

20h- Carrega no send do e-mail com o conhecimento do chefe, é claro!

20h30 – E-mail recebido do chefe: “Obrigado pelo esforço! Bom trabalho!”

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