Avançar para o conteúdo principal

Quem a casca rejeita a comida despeita!

Chegou o dia da formiga Bebé sair pela primeira vez do buraco para procurar comida. A sua mãe disse-lhe o que poderia trazer: ervas, pedaços de frutos, etc.
Era um momento muito especial na vida de uma formiguinha. Havia uma enorme espectativa e até alguma rivalidade entre os pequenos insetos e seus familiares. O objetivo era trazer o pedaço de comida maior. O grande orgulho da espécie tinha que ser preservado e mantido: a força e velocidade.
Assim foi. Todos saíram ao mesmo tempo. Eram todas muito rápidas e cada uma foi para seu lado.
 A formiguinha Bebé andou, andou e andou até que encontrou meia casca grande de noz. Ficou radiosa. Era mesmo aquilo. Não se podia considerar comida mas que dava um grande armazém, dava.
Não viu ninguém. Subiu a noz, escorregou lá para dentro, olhou em volta e não via mais nada: só casca. Tentava subir mas não conseguia porque as paredes estavam húmidas do orvalho.
Pensou. Tenho que conseguir. Os meus pais vão ficar orgulhosos. Resolveu chamar alguém:
-Quem me ajuda a subir e que eu digo que a casca foi encontrada pelos dois!
Ouviu umas vozes:
-Ah! Ah! A Bebé está doida! Quer que nós a ajudemos a levar uma casca para partirmos as pinças a trincar! Não é comida! Vamos embora!
A formiga ficou sozinha, presa na casca. Sentou-se desesperada. Ao faze-lo a casca mexeu com o movimento do seu corpo.
Teve uma ideia. Começou a balancear o corpo: para lá e para cá. A casca acompanhava o embalo. Mexeu-se com mais força. Tanto o fez que de repente conseguiu ver a terra e saltou para fora da noz.
Satisfeita, agarrou na casca e seguiu sozinha em direção ao buraco. Chegaram todos ao mesmo tempo, numa enorme confusão.
Os artigos apanhados foram todos expostos perante o grande líder das formigas. Cabia a ele avaliar o vencedor. Uns levaram pedaços de pão, outros, sementes, outros, folhas tenras e a a casca destoava no meio daquele manjar de comida.
Ao chegar ao pé da casca, o grande líder não resistiu de perguntar à formiga Bebé:
-Achas que é comida?
-Não.
Ouviu-se uma risada geral dos restantes participantes.
-Calem-se! Quero saber!
A pequena formiga, a soluçar de vergonha disse:
-Todos trouxeram comida mas ninguém trouxe algo para a guardar!
Todos os insetos ficaram surpresos.
-Juntem a comida e ponham-na la dentro.
Cada uma agarrou na sua peça e seguiu em direção à noz. Umas agarradas às outros fizeram uma escada e colocaram os alimentos lá dentro. Rapidamente ficou tudo arrumado.
O grande líder referiu:
-Que ótima ideia! A nossa comida fica largada pelo buraco e por vezes ao passar temos que a pisar e estraga-se com o tempo.
No meio dos outros concorrentes surge uma voz:
-Não é comida! Não pode ganhar!
-Certo, não é comida! Mas se tu não guardares a comida de hoje não a terás amanhã. 
É tão sábio aquele que a amealha como aquele que a preserva! 
Ganha a melhor comida mas também ganha o Bebé com a sua noz!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sono

Neurónio A para Neurónio B: -Estás a trabalhar? -Não, estou a dormir! -Preciso da tua ajuda! Acorda! -O que queres? -Arranja qualquer coisa para eu fazer! -Dorme como eu! -Não posso! Tenho que manter o corpo desperto! É de dia! -Então, se, já tens tanto trabalho porque queres mais? -Gosto de fazer coisas novas! -Humm…já sei! -O quê? -Cria um piloto automático como nos aviões. -Como assim? -Cria um botão para o corpo fingir-se desperto e deixar-nos dormir. -Isso é um desafio! -Ainda bem que concordas! Quando estiver criado, acorda-me para testar! :)

Dor de chispes no inicio de Verão

Quem quer estrear aquelas sandalocas novas fashion? Os pezinhos estão na estufa durante o Inverno e depois queixam-se!

Querias dizer? - 1ª Série, 1º Episódio:)

Existem milhares de expressões populares, algumas que ouvimos desde pequenos, outras são restritas a certas zonas do país. Vou criar aqui no Diário de um Anjo uma rubrica destinada a esta problemática. Nunca vos aconteceu dizer uma expressão a alguém que nunca a tinha ouvido , essa pessoa perguntar o sentido da mesma e não saberem responder. Eu acho que estas frases estão alojadas no nosso subconsciente, associadas a um causa ou um efeito e falamo-las sem pensar. Assim sendo, desafio-vos para refletirem esta semana sobre a expressão: “Dar terra para pôr Cebolas!” Significado popular: Fugir de algo. Tentei procurar, infrutiferamente na internet. Resolvi então ver o significado simbólico da Cebola, nessa fantástica enciclopédia online Wikipédia: “Os latinos, segundo Plutarco, proibiam o uso do bolbo, porque acreditavam que ele crescia quando a Lua diminuía”. Ora, se “dermos terra para pôr cebolas” ocupamos a Terra com um vegetal que diminui a Lua. Logo, não augura nada de bom, certo?...