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Despida

Acordei e agora?
Atravesso as rotinas sem pensar.
Como se pedaços de cortinas à minha frente tivesse.
Afasto-as, sem as sentir.
Vou andando até ao fim do caminho.
Em que o fim é a noite e o caminho mais um dia.
Pergunto-me o que me faz feliz e não sei a resposta.
Creio que nem o conceito já me jaz na memória.
Tenho um buraco em mim.
Um rasgo que não consigo cozer.
Memórias que não quero largar.
É como se vestisse, roupa atrás de roupa,
E me sentisse sempre nua.
Como se um vento frio sempre me tocasse.
Quero um casaco, um sobretudo,

Quero, sei lá, parar este arrepio que me faz viver num Inverno constante.

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