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Rotinas de Lisboa

Acordo de manhã, abro a janela,
Na rua andam as crianças pela mão,
O sem-abrigo dorme no chão,
As peixeiras agitam-se com uma flor na lapela.

Os idosos deixam o tempo passar,
Os desempregados de jornal na visão,
Os trabalhadores ao relógio perdem perdão,
Os cantoneiros a vassoura vão virar.

Olho para a televisão,
Capas de jornais correm politicas,
Noticias, cusquices e tricas,
Faz-me correr a manteiga e me foge o pão.

Acordo de manhã, abro a janela,
Na rua andam as crianças pela mão,
O sem-abrigo dorme do chão,
O janota agita a flanela.

Os jovens andam de música no coração,
As senhoras bem vestidas e maquilhadas,
Deixam-se passear pelo cão,
Os carros agitam as estradas.

Cartazes na rua e nas vielas,
A publicidade do dia e da ocasião,
Os espectáculos e o cinema das estrelas,
As novidades da promoção.

Acordo de manhã, abro a janela,
Na rua andam as crianças pela mão,
O sem-abrigo dorme do chão,
O doutor de fato de tela.

Esta é a minha cidade amada,
De colinas e fado no coração,
Tejo de porta dada,
E mar de lição.

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Vou sentir a tua falta...

Ao longo destes nove meses, foste a minha companheira inseparável! Foi uma oferta de uma amiga minha, num fim-de-semana: -Vamos trocar pulseirinhas?-disse ela. - Claro, mas a minha tem que ser laranja, que é a minha cor preferida. - Tens que pedir 3 desejos! -Hummm, ok... O tempo passou e cá estou eu. Hoje, ia eu no meu Bolinhas (viatura:-)) e ops...É agora, é agora!!!!:-)))) Não vos vou poder divulgar os desejos nem se eles se concretizaram mas, acho que, uma companhia tão fiel, durante tanto tempo, merecia esta homenagem:-))) PS.: Já agora, alguém sabe o que se devo fazer aos "restos mortais" da minha companheira?:-)))

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