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Sou um menino...

Um menino ia com o pai para a escola, sentado no banco de trás, a observar o que se passava lá fora e a fazer perguntas:
-Pai, que melro tão livre ali a voar! Quero ser um pássaro!
O pai não ligou muito ao que o filho dizia, pois estava a falar ao telemóvel de auricular com os colegas do trabalho.
Entretanto, pararam noutro semáforo e um cão passou a frente do dono nas passadeiras todo airoso, a cheirar todos os cantos.
-Pai, que cão tão corajoso ali a passar! Quero ser um cão!
Ainda a conversar sobre assuntos sérios, o pai nem ligou.
Mais uns km à frente pararam num cruzamento junto a umas casas cor-de-rosa. No parapeito de uma janela estava um gato esparramado a apanhar sol de barriga para cima.
-Pai, que gato tão tranquilo ali a descansar! Quer ser um gato!
O pai finalmente desligou o telefone e ficou absorvido nos seus pensamentos, até que estacionou o carro e virou-se para trás e disse:
-Chegamos! Vamos embora para casa que o pai ainda tem que mandar um e-mail e tu vais fazer os trabalhos e tomar banho.
Ao chegar a casa, o pequeno foi para quarto, fez os trabalhos sossegado. Depois lá foi para o banho.
A mãe entretanto chegou, deu-lhe um beijinho depenicado e foi fazer o jantar.
Ao final das tarefas diárias de todos, já na mesa ao jantar, o pai vira-se para o pequeno e pergunta:
-Então, como foi o teu dia?
O miúdo em silêncio não respondeu.
-Estás a ouvir o teu pai? - afirmou a mãe.
O miúdo pousa os talheres e responde:
-Olha! Fui livre como um pássaro, corajoso com um cão e tranquilo que nem um gato!
Os pais olharam um para o outro sem perceber.
-Onde aprendeste isso?
-Foi contigo pai!
O pai franziu o sobrolho, como se tentasse se lembrar de alguma coisa. A mãe como tinha chegado mais tarde:
-Vocês estiveram a brincar os dois, foi?
-Não, estive muito ocupado – respondeu o pai.
-Então filho, de onde vieram essas ideias todas?
-Deixa estar, não vais entender!
Os pais continuaram a comer. Depois de ver um pouco de televisão o menino foi para a cama.
No dia seguinte, ao sair da escola, lá fizeram os dois o mesmo percurso, o menino no banco de trás e o pai ao telemóvel.
No entanto, nesse dia o menino não falou nada. Quando o pai estacionou virou-se para trás e disse:
-Então filho, fizeste a viagem toda calado? Não ligaste aos teus amiguinhos como costumas?
-Eu nunca ligo!
-Não mintas! Eu ouço-te falar enquanto estou ao telemóvel!
-Sim, mas não é com os meus amigos que falo, é contigo!
O pai espantado, parece que algo fez luz na sua mente. Não se tinha apercebido que aquele pedaço de tempo que tinha para os dois estava ocupado com o trabalho.

A partir desse dia, assim que chegava junto ao filho desligava o telemóvel até que ele fosse dormir. 

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