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Erro de sintaxe

Um trabalhador de escritório muito atarefado, com um prazo para cumprir, escrevia com intensidade no teclado do computador de seu trabalho o dia todo. Isolado da realidade que o circundava, não comia, não falava nem ia à casa de banho. O teclado e o monitor eram as duas únicas coisas que lhe interessavam naquele momento.
As horas passavam, a altura de jantar já havia passado e o cansaço começava a pesar nos seus olhos. A certa altura o trabalhador ouve uma voz:
-Sinto a tua falta!
O homem tão atarefado que pensava que seria alguém ainda no escritório a falar ao telefone e nem perdeu muito tempo a raciocinar sobre o assunto.
-Ei, pst! Eu estou aqui!
O trabalhador cansado, levanta os olhos e repara que à sua volta, no escritório, estavam todas as luzes apagadas e não havia mais ninguém.
-Esqueceste-te de mim!
O homem pegou nos telemóveis, não vá algum estar ligado por algum motivo e nada. Tudo parado. O tempo corria e ele regressou ao teclado.
-Ei, aqui em baixo do lado direito!
Ai sim, o trabalhador ficou preocupado e de repente no canto inferior direito começou a ver algo que jamais pensou ver em toda a sua vida. O seu rato tinha olhos e boca.
-Estou a endoidecer! Este trabalho está a dar cabo de mim!
Olha para o relógio e eram 23h30m. Tinha até a meia-noite para enviar ao cliente o trabalho sem falta. Tentou assim ignorar o que viu pois o seu stress era superior.
Faltava apenas uma última revisão. Não vá ter feito alguma asneira e ao reler o seu trabalho, o cursor do seu computador começou a mexer sozinho, sublinhando algumas palavras repetidamente:
-Olha para mim!
O homem resistiu e tentou abstrair-se para ler o seu texto com o resto das capacidades que ainda possuía e terminou.
Ao tentar agarrar no rato para gravar e enviar não conseguiu. O rato não se mexia. Parecia que tinha cola e estava preso ao tapete.
Eram 23h55 e o trabalhador já suava. Tirou a mão do rato e reparou que o mesmo tinha os olhos encerrados e a boca fechada, como se estivesse chateado. Num ato de loucura, vira-se para o seu pequeno equipamento e diz:
-Desculpa mas eu tenho mesmo que enviar isto, senão sou despedido!
-O que é ser despedido?- Perguntou o rato.
-Olha é ir para casa!
-O que é casa?
-A casa é o local aonde vives com a tua família.
-O que é família?
-São as pessoas que amas.
-O que é amar?
-Olha é gostar tanto de alguém que não podes viver sem ela ou ele.
-Hum!
-Estás vivo?
-Estou.
-Não amas alguém.
-Sim amo a minha família, claro.
No monitor apareceu um erro que dizia: Erro de sintaxe, não é possível gravar.
O trabalhador chorou de desespero. Cansado sem saber como argumentar o que era óbvio, o que para uma máquina era simples mas para um humano era complicado. Eram 23h58m e agarrou as mãos à cabeça e gritou:
-Já fui!
Sem querer acreditar no seu monitor aparece a o seguinte aviso: O seu ficheiro encontra-se a ser gravado. Agarrou no rato, carregou no “send” e o ficheiro foi entregue às 23h59 no destino.
Respirando de alívio. Desligou tudo e correu em direção a casa. Seus filhos e sua mulher já dormiam. No dia seguinte acordou, agarrou sua esposa e filhos e disse:

-Desculpem o atraso de ontem. Hoje vou tirar a tarde e vou buscar a crianças ao colégio para irmos ao parque brincar e depois vou-te buscar ao trabalho para aproveitarmos o resto do dia.

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