Avançar para o conteúdo principal

Grãos de tempo

Um menino foi à praia com o avô. A viagem era um pouco longa, então, pela hora do calor ficavam à sombra do chapéu, à espera de nova oportunidade de brincadeira ao Sol.
Passados uns minutos de sombra, diz o menino:
— Avô, já posso ir à água?
—Ainda não! Só passou meia hora. Tenta descansar.
Um tempo depois volta a perguntar:
—Avô, já se pode?
—Não, ainda não. Tens fome?
—Não! Avô?
—Sim?
—Porque o tempo demora tanto tempo a passar?
—Olha! Chega aqui ao pé de mim!
O menino mudou de toalha e sentou—se junto ao avô.
— Agora junta as tuas mãos como eu em forma de concha!
O menino assim fez, muito curioso.
—Assim que eu disser enchemos—as de areia!
—Está bem!
—Agora!
Os dois encheram as mãos de areia.
—Oh! O avô ganha. Tem as mãos maiores!
Contudo, por entre os dedos já tortos da idade, a areia do avô foi caindo até que rapidamente as suas mãos ficaram vazias. O menino ao ver, disse:
—Deixaste cair avô?
—Pois meu menino. Sabes o tempo é como os grãos de areia. Apanha—se rápido mas também se perde. E olha! O avô foi depressa.
O menino olha para as suas mãos, com um pequeno monte de areia e coloca—as em cima das do avô e diz:
—Avô, eu dou—te um bocado do meu tempo!
O idoso comovido abraçou o neto com toda a força.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Onde está o Norte que eu perdi o Sul?

Vento!!!!Vento!!!! Tu que és forte, viajado no tempo. Por todas as terras passaste, muitas vidas cruzaste, e sem querer mudaste. Diz-me! Onde está o Norte? Perdi-me! O Sul, deixei, algures por onde passei. Responde-me! Se do Sul nada sei, como o Norte acharei?

Auto-estima nacional...

Ontem fui ver o mais recente filme português: "Os Mistérios da Estrada de Sintra". Fiquei triste como as pessoas tem um preconceito com tudo o que é nacional. Lá está, quando se tem uma ideia pré-concebida negativa vai-se à procura dos defeitos e não das virtudes. No final, lá se vê os comentários: " para filme português está acima da média" e "gostei". Eu, no entanto, vos digo, se fosse um realizador americano a fazer o filme, a cobertura mediática e a adesão dos portugueses seria em massa. Desculpem, mas acho rídiculo este preconceito nacional de que o que é feito lá fora é que é bom. Se fosse só apenas a nível das artes, não, é a todos os níveis. Os portugueses vão ao supermercado e a maioria das aquisições são importadas quando há produtos portugueses tão ou melhores. A falta de auto-estima nacional é tanta, que algumas marcas de roupa portuguesas, como a Saccor, por exemplo, só conseguem vingar com uma marca que indicie "algo estrangeiro". P...