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Grãos de tempo

Um menino foi à praia com o avô. A viagem era um pouco longa, então, pela hora do calor ficavam à sombra do chapéu, à espera de nova oportunidade de brincadeira ao Sol.
Passados uns minutos de sombra, diz o menino:
— Avô, já posso ir à água?
—Ainda não! Só passou meia hora. Tenta descansar.
Um tempo depois volta a perguntar:
—Avô, já se pode?
—Não, ainda não. Tens fome?
—Não! Avô?
—Sim?
—Porque o tempo demora tanto tempo a passar?
—Olha! Chega aqui ao pé de mim!
O menino mudou de toalha e sentou—se junto ao avô.
— Agora junta as tuas mãos como eu em forma de concha!
O menino assim fez, muito curioso.
—Assim que eu disser enchemos—as de areia!
—Está bem!
—Agora!
Os dois encheram as mãos de areia.
—Oh! O avô ganha. Tem as mãos maiores!
Contudo, por entre os dedos já tortos da idade, a areia do avô foi caindo até que rapidamente as suas mãos ficaram vazias. O menino ao ver, disse:
—Deixaste cair avô?
—Pois meu menino. Sabes o tempo é como os grãos de areia. Apanha—se rápido mas também se perde. E olha! O avô foi depressa.
O menino olha para as suas mãos, com um pequeno monte de areia e coloca—as em cima das do avô e diz:
—Avô, eu dou—te um bocado do meu tempo!
O idoso comovido abraçou o neto com toda a força.

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