Avançar para o conteúdo principal

A bola de trapos do Pantufas

O Pantufas adorava a sua bola de trapos. Eram inseparáveis. Tinha-a desde que era gatinho. Dormia e brincava com ela todos os dias.

Sempre que o Pantufas estava feliz, a bola rebolava e saltava nas suas patas. Quando o gatinho estava triste, enroscava-a nas suas patas para se sentir melhor.
Contudo, nos dias em que estava enfurecido ou aborrecido com alguma coisa, mordiscava e arranhava a bola até à exaustão.
O tempo foi passando e a bola começou a apresentar sinais de desgaste.

Certo dia, o Pantufas não dormiu bem. Quando acordou, estava rabugento, cansado e irritado. Pegou na sua bolinha de trapos e tentou brincar, mas, em vez disso, a fúria falou mais alto, e arranhou-a com toda a força.
Os pedaços de trapos não aguentaram e a bola rasgou-se, deixando sair do seu interior um manto branco e fofo.

O Pantufas ficou estático, a olhar para a bolinha esventrada. Não queria acreditar que a sua amiga e companheira tinha ficado assim.
Agarrou a sua bolinha e levou-a na boca à sua dona, que, com toda a paciência, coseu os rasgos.
De regresso às suas patas, a bola voltou com todas as marcas dos momentos felizes e cicatrizes de todas as suas fúrias.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Onde está o Norte que eu perdi o Sul?

Vento!!!!Vento!!!! Tu que és forte, viajado no tempo. Por todas as terras passaste, muitas vidas cruzaste, e sem querer mudaste. Diz-me! Onde está o Norte? Perdi-me! O Sul, deixei, algures por onde passei. Responde-me! Se do Sul nada sei, como o Norte acharei?

A vida é feita de pequenos voos

Uma folha de um castanheiro adorava embalar-se ao sabor do vento frio que vinha das montanhas. Vivia no mesmo galho com o seu irmão ouriço. -Uiii! Virada para a direita, virada para a esquerda! – Repetia a folha. -Adorava voar! Ao seu lado, a castanha dentro do ouriço tremia cada vez que era obrigada a sair do sítio. Tinha medo de alturas e estava agarrada à sua casca protetora cheia de picos. -Ai que medo! -Tens medo do quê? -De cair e magoar-me! -Vives numa casa protegida! Eu é que se cair não terei quem me salve! -Então porque querias voar? -Gosto da aventura e de me sentir livre. -Podes te magoar! Não tens receio? -Tenho, mas mesmo assim gostaria de saber como é! -És doida! Certo dia, veio uma enorme tempestade e o galho aonde estava a folha e o ouriço caíram no chão. O impacto foi tão grande que a castanha ficou com a sua casca protetora aberta. A folha sorria de contente pois tinha caído num manto formado por outras já caídas. -Foi fantástico, mana! ...