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Não quero ir!


Uns dias antes do Natal, na oficina do Pai Natal, estava quase tudo pronto.

Os duendes tinham respeitado a lista de prendas dos meninos, e as prendas estavam todas já dentro do saco mágico.

Bem, todas, todas, não! Algumas prendas saltaram de lá de dentro e esconderam-se atrás de um carrinho de mão de um duende.

— Eu não quero ir! — dizia uma prenda.
— Tens razão, vamos para quê? — repetia outra.

E assim, este conjuntinho de prendas ficou num montinho a reclamar.

Na véspera de Natal, o velho de barbas brancas pegava na enorme lista de prendas e conferia se não tinha faltado nada.

Nesse ano, faltavam algumas prendas.

— O que se passou? — perguntou o Pai Natal aos duendes.

Eles não sabiam. Tinham feito todas as prendas e posto no saco mágico.

O Pai Natal acariciou as barbas e colocou os seus óculos mágicos, que sabiam tudo o que se passava em todo o lado. Bastava ele pensar na pergunta.

O velho de barbas brancas encaminhou-se para o carrinho de prendas do duende e sentou-se ao pé delas.

— Porque é que vocês não querem ir para os meninos na noite de Natal? — perguntou o Pai Natal.

Os duendes ficaram surpresos com o facto de o Pai Natal falar com as prendas, mas, enfim, naquela casa tudo era possível.

— Nós não queremos ir! — responderam em coro.

Um dos duendes saltou, deu uma cambalhota e parou mesmo em frente às prendas:

— Como é que vocês não querem ir? Não querem fazer uma criança feliz?

— Esse é que é o problema, duende! As prendas já não fazem as crianças felizes. Nós somos apenas mais um brinquedo para ficar na prateleira do quarto, junto com várias dezenas de outros brinquedos. As crianças de hoje em dia já têm tudo. Nós só iremos ser mais uma prenda, e não uma prenda especial.

O Pai Natal acenou com a cabeça.

— É verdade, prenda. Existem muitos meninos com muitos brinquedos, e a magia de mais uma prenda já não é especial. Mas nem sempre é assim!

— Não é verdade, Pai Natal!

— É sim. Confiem em mim e venham comigo!

O Pai Natal levou as prendas até ao seu quarto, onde estava um enorme espelho embutido numa moldura de madeira talhada com azevinhos. Parecia ser muito velho.

— Olhem com atenção!

As prendas viram imagens do Natal passado, onde alguns meninos que receberam dezenas e dezenas de brinquedos — do Pai Natal, dos pais, dos avós, de toda a gente — abriam as prendas e empilhavam os brinquedos. Os pais guardavam os brinquedos.

— Estás a ver, Pai Natal? Onde estão os sorrisos? O brilho nos olhos?

— Esperem!

O espelho avançou no tempo até a algumas semanas atrás. Na imagem, apareceram os mesmos meninos com sacos de brinquedos, a oferecerem-nos a outros meninos que tinham menos. Esses meninos sorriam de alegria. Os seus olhos brilhavam.

As prendas não queriam acreditar! O brilho dos olhos estava lá! Não nos meninos que tinham feito a lista, mas noutros meninos que receberam algo sem nada pedir.

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