Imagem: Copilot
Num reino muito distante, vivia um rei muito rico com a rainha e a sua filha, a princesa Esmeralda.
Esmeralda era uma menina linda, loura, com olhos verdes como os da mãe, e tinha uma vida de sonho. Tudo o que desejava, aparecia. Nunca lhe faltava nada.
Mas havia um problema: os reis tinham muito pouco tempo para estar com ela. Por isso, pediram aos cientistas do reino que inventassem um casaco muito especial. Esse casaco tinha um botão mágico: sempre que a princesa carregava nele, aparecia de imediato um criado pronto a satisfazer qualquer desejo.
Claro que Esmeralda nunca largava o casaco. Tinha quartos e quartos cheios de brinquedos, vestidos e jogos. E, muitas vezes, obrigava os criados a brincar com ela.
A princesa vivia assim, rodeada de tudo o que podia querer, até ao dia em que viu entrar na cozinha uma menina descalça, de tranças, a cantar, com um enorme saco de pão às costas. Era a filha do padeiro.
Esmeralda sabia que existiam outras crianças. Via-as na televisão, mas nunca tinha brincado com nenhuma. Com tantos brinquedos novos à sua volta, nunca tinha pensado muito nisso. Pelo menos, até aquele momento.
A menina das tranças parecia carregar um peso enorme, mas mesmo assim cantava uma canção alegre e sorria. Parecia feliz sem brinquedos, sem televisão, sem jogos. Como podia aquilo ser possível?
Intrigada, Esmeralda carregou no botão especial do seu casaco. No mesmo instante, surgiu um criado ao seu lado e perguntou:
— O que desejais, sua majestade?
— Quero um saco enorme de pão!
Embora estranhasse o pedido, o criado foi à cozinha e regressou com um grande saco de pão.
Esmeralda tentou pegá-lo, mas não conseguiu. Era demasiado pesado. Fez força uma vez, duas, três... mas só conseguiu ficar cansada e frustrada. E percebeu que era exatamente isso que sentia: frustração. Não lhe apetecia cantar, muito menos sorrir.
Pensou durante uns momentos e voltou a carregar no botão.
— O que desejais, sua majestade?
— Chama o cabeleireiro real! Quero as tranças mais bonitas de todo o reino! Já!
Num instante, apareceu o cabeleireiro real, que lhe fez tranças magníficas, enfeitadas com flores e ganchos brilhantes, como pequenas joias.
Esmeralda olhou-se ao espelho. Estava linda. Tentou cantar, mas da sua boca só saíram sons estranhos. Não, aquilo também não a fazia feliz.
Teve então outra ideia. Carregou novamente no botão, e o criado apareceu.
— O que desejais, sua alteza?
— Chama o professor de música. Quero aprender a cantar.
Durante dias e dias, Esmeralda teve aulas de canto. Mas achava-as aborrecidas e, por mais que tentasse, continuavam a sair-lhe apenas ruídos desafinados. Parecia uma caturra sem jeito nenhum para música.
Desesperada, voltou a carregar no botão.
— O que desejais, sua majestade?
— Traz-me aqui a filha do padeiro.
Os guardas reais foram chamá-la à pressa. O pai da menina ficou muito preocupado. Vestiu-a com o seu melhor vestido de domingo e calçou-lhe uns sapatos novos, tão apertados que lhe magoavam os pés.
Quando chegou ao quarto da princesa, a menina estava cheia de dores, com bolhas nos pés, e nada feliz.
O quarto de Esmeralda era deslumbrante. Tinha tudo o que uma criança podia imaginar. Era um verdadeiro sonho.
— Como te chamas? — perguntou a princesa.
— Branca.
— No outro dia, vi-te entrar na cozinha. Vinhas com um saco tão pesado e, mesmo assim, parecias tão feliz. Quero saber porquê.
Branca ficou sem saber o que responder.
— Não foi por nada, minha alteza...
— Como assim, por nada? Como é que “nada” pode fazer alguém tão feliz? Conta-me!
Branca encolheu os ombros e respondeu com simplicidade:
— Não sei, sua alteza. Eu vinha a cantar a minha canção preferida para me esquecer do peso do saco. E cantei tanto, tanto, que acabei por ficar feliz.
Esmeralda não compreendia aquilo.
Branca, atrapalhada e com os pés a doer, sentiu medo de estar metida em sarilhos. Para se acalmar, começou a cantar baixinho. Era a mesma canção de antes.
A princesa ouviu-a e, sem pensar, começou também a cantar. Primeiro devagar, depois com mais coragem. Uma imitava a outra. E a melodia parecia colar-se ao coração.
De repente, Esmeralda e Branca começaram a dançar pelo quarto ao som da canção.
E então aconteceu algo maravilhoso: da boca da princesa já não saíam ruídos estranhos, mas sim uma canção bonita. Uma canção de amizade.
Ao passar por um espelho, Esmeralda viu o seu reflexo... e reparou num sorriso verdadeiro nos seus lábios.
Nesse momento, percebeu finalmente uma coisa muito importante: estava feliz, mesmo feliz. E, para isso, não tinha precisado de nenhum botão especial.
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