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A história de Miguel e Caramelo

 



Era uma vez um tipo, daqueles tipos, tipo porreiros, sabes? O tipo vivia numa aldeia tipo do Norte com casinhas de pedra. Todos gostavam do tipo porque ele era tipo bonzinho. Era daqueles que estava sempre bem disposto e estava sempre pronto para ajudar. Era tipo fantástico.

Um dia o tipo foi passear pelos campos com o seu cão tipo pastor e encontrou uma raposa. Foi tipo, um encontro fantástico. Tirou uma foto e publicou nas redes sociais e foi tipo flash.

Gostaste desta história?

Vamos tentar escrevê-la de novo?

Era uma vez um menino muito simpático chamado Miguel. Miguel vivia numa aldeia do Norte de Portugal, mais concretamente em Trás-os-Montes. Era uma daquelas aldeias com casas de pedra que nos levam a viajar no tempo. O menino era muito gentil e estava sempre disposto a ajudar os outros: despejava o lixo das pessoas que não podiam carregar pesos e ia às compras por quem lhe pedia ajuda. Era um menino mesmo bonzinho.

Miguel tinha um cão, o Caramelo.

Caramelo era um cão rafeiro, mas ninguém o diria. Era grande e imponente como um cão pastor e inspirava respeito por onde passava…

Certo dia, Miguel foi passear pelo campo com Caramelo. Adoravam fazer corridas, subir às pedras, saltar por cima das poças de lama e descobrir novos animais.

Depois de tantas aventuras, as pernas pesaram-lhes e resolveram descansar, sentados à sombra, sobre uma pedra.

De repente, ouviram as folhas de outono a estalar e ficaram em alerta. Caramelo levantou-se e ficou logo em posição de defesa: de cabeça erguida e peito cheio de ar.

No meio da vegetação apareceram uns olhos dourados. Pareciam assustados.

Caramelo preparou-se para ladrar, mas Miguel deteve-o com um “xiu”.

Pé ante pé, o menino aproximou-se dos arbustos e, do outro lado, encontrou uma pequena raposa ferida numa pata. Tinha caído numa armadilha de caçadores.

Miguel encheu-se de coragem, chegou ao pé da raposa e olhou-a nos olhos. Sabem? Aqueles olhares que dizem tudo sem palavras.

Miguel pegou num pau e abriu a armadilha. A raposa conseguiu libertar-se e afastou-se a coxear. Teve sorte: a pata não parecia estar partida, apenas magoada.

A raposa afastou-se e desapareceu entre a vegetação, mas, antes de partir, virou-se para trás e voltou a trocar olhares com Miguel. Mais uma vez, não houve palavras, apenas um momento especial, tão especial que se tornou inesquecível.

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