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Português, afundado fado

Meia rota no sapato,
Carcaça barata no prato,
Uma hora de greve para trabalhar,
Meia dose de bifana para papar.

Chefe mau humorado,
Salário cortado,
Selva de colegas a olhar,
Papelada de tarefas a empilhar.

Final do dia desejado,
Supermercado apinhado,
Marcas brancas comprar,
Fruta seca levar.

Jantar uma sopa de triste fado,
Lides domésticas ao lado,
Canais abertos observar,
Para mais burro ficar.

Na cama já tarde parado,
Corpo perdido e cansado,
Insónias a enfrentar,
Carneiros magros a contar.

De português vivo fado,
Na crise vivo sempre a nado.

Roupa velha no corpo,
Cereais fracos no prato,
Meia hora de espera para chegar,
Meia dose de quiche para mastigar.

Chefe em reuniões alado,
Contas para dar a banco anafado,
Horas extra a assombrar,
Apenas no papel a enfeitar.

Filho na escola largado,
Olhar triste enfrentado,
Meia hora apenas para brincar,
Para a cama logo o deitar.

Na cama tarde remexido,
Deve e a haver sofrido,
Noite passada a contar,
Saldo negativo ao acordar.

De português vivo fado,
Na crise morro afundado.

Comentários

Paula noguerra disse…
Muito português :)
Sofá Amarelo disse…
O cenário perfeito do português médio!

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