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Como tartaruga...

Sentada numa rocha junto ao mar. Procurava nas ondas o sossego do seu embalo e no mar o aroma da minha paz. Não sei ao certo á quanto tempo ali estava nem que horas de facto eram. Não queria saber. O tempo que corresse lá fora. Os acontecimentos que se atropelassem uns aos outros. Simplesmente não queria saber. Decidam por mim até porque, recentemente não tinha tido qualquer poder de intervenção no rumo das coisas.
Estava cansada, desanimada e perdida.
 Sempre fui conhecida como uma lutadora, como dotada com uma força capaz de ultrapassar qualquer obstáculo.
Procurava essa capacidade que todos diziam ter. Já vivi muito. Sofri, ri e corri como se uma meta estivesse sempre ao meu alcance.
Ali estava. Olhava para a espuma das ondas e procurava algo. Cada onda me trazia uma ideia. Escrevia-a na areia junto a mim. Observava-a, avaliava-a mas o mar que a trazia assim a apagava.
Junto a mim, uma pequena tartaruga surgiu. Amante de animais sorri pela oportunidade. Resolvi não me mexer para não a assustar.
O pequeno animal ali ficou também. As ondas iam e viam, molhando a sua carapaça.
Trocámos olhares. A pequena tartaruga parecia triste.
As ondas deixaram de ser o meu interesse. Parei na procura de um objetivo para observar o pequeno ser. Ela poderia ter ido embora mas também não foi. Nenhum de nós parecia querer saber do resto.
Naquele momento, ambos queríamos apenas saber uma da outra. Pensei, será que ela percebia o que eu sentia? Não, que parvoíce. Estava ali apenas a descansar como eu.
 Naquele momento, uma parte de mim queria poder percebe-la, falar-lhe mas outra parte de mim queria apenas ficar assim, na sua companhia.
O sol pôs-se no horizonte. O seu tom alaranjado fez-me acordar e perceber que estava na hora de partir. Sai da praia, fui para o carro e conduzi para casa sem pensar em nada. Aqueles olhos doces da tartaruga eram a única imagem que dominava os meus pensamentos.
Não achei o que procurava naquela tarde.
No dia seguinte, alguém me perguntou:
-E agora, o que pensas fazer?
Não tinha resposta à pergunta, não tinha a meta que todos pensavam eu ter sempre. Restou-me apenas dizer:
 -Vou ficar aqui a lutar entre as ondas à espera que uma delas me indique o caminho.
A minha meta deixou de ser algo atingível e palpável. O meu objetivo passou a ser o de ficar parada à espera, a descansar.
Todos os dias quando agora penso que já consigo mais, fecho os olhos e lembro-me do olhar da tartaruga, imagino as ondas a bater nas minhas costas, pisco os olhos para continuar a ver e espero.

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