Avançar para o conteúdo principal

Grão verde

Num saco de papel cheio de pipocas acabadas de fazer, restava um grão de milho. Escapou à ida para máquina e estava ali, ainda meio atordoado.
-Onde estou? Quem são vocês?
Ao seu lado, estavam pipocas.
-Somos os teus amigos!
-Vão a algum baile de máscaras? O que aconteceu? Está um calor impressionante aqui dentro.
-A Micas? Onde está a minha melhor amiga?
-Estou aqui! – Respondeu uma pipoca rosa que estava atrás de si.
-Não pode ser!
-É verdade!
-Não és a Micas!
-Sou!
-Então se és a Micas, diz-me qual é o meu maior sonho!
-O teu maior sonho é ser ator.
O pequeno grão de milho não quis acreditar no que ouvia.
-Amiga! Tive tantas saudades tuas! Vamos jogar?
-Não posso!
-Porquê?
-Agora sou uma pipoca colorida Micas! Linda. Tenho a certeza que serei uma modelo.
Desde pequenos que sempre partilharam estes sonhos.
-Estás bela mas não podemos continuar a ser amigos!
-Não!
-Passamos pela mudança e tu nem sequer foste selecionado. Ficaste aqui perdido. Ninguém te levou. Não fazes parte de nós.
O grão de milho ficou muito triste e ficou no seu canto.
A temperatura do saco foi arrefecendo e de repente tudo começou a tremer. Um humano havia pegado no saco e começado a retirar as pipocas sem as voltar a repor.
O grãozinho viu os seus amigos partir sem poder fazer nada e nem saber o que se passava.
Passados alguns momentos, o espaço disponível no saco começou a ser reduzido. O grão de milho pensou que iria morrer de falta de ar. O humano esmagou o saco de papel e atirou-o para um balde de lixo. Contudo, a pressão foi tanta que o papel se rompeu antes de o saco cair. O grão de milho caiu no chão.
Atordoado, dorido e triste. Deixou-se ficar, adormecendo.
Uns dias mais tarde, choveu e enterrou-se na terra. Pensou que tinha morrido. Desistiu.
Certo dia, sentiu algo sair da sua barriga. Um rebento que renasceu para a luz do dia. Ganhou novo folego. Foi premiado com novos sonhos e voltou a viver.

Comentários

Paula noguerra disse…
E vivam os sonhos e todos aqueles que se tornam realidade :)

Mensagens populares deste blogue

Sono

Neurónio A para Neurónio B: -Estás a trabalhar? -Não, estou a dormir! -Preciso da tua ajuda! Acorda! -O que queres? -Arranja qualquer coisa para eu fazer! -Dorme como eu! -Não posso! Tenho que manter o corpo desperto! É de dia! -Então, se, já tens tanto trabalho porque queres mais? -Gosto de fazer coisas novas! -Humm…já sei! -O quê? -Cria um piloto automático como nos aviões. -Como assim? -Cria um botão para o corpo fingir-se desperto e deixar-nos dormir. -Isso é um desafio! -Ainda bem que concordas! Quando estiver criado, acorda-me para testar! :)

Dor de chispes no inicio de Verão

Quem quer estrear aquelas sandalocas novas fashion? Os pezinhos estão na estufa durante o Inverno e depois queixam-se!

Querias dizer? - 1ª Série, 1º Episódio:)

Existem milhares de expressões populares, algumas que ouvimos desde pequenos, outras são restritas a certas zonas do país. Vou criar aqui no Diário de um Anjo uma rubrica destinada a esta problemática. Nunca vos aconteceu dizer uma expressão a alguém que nunca a tinha ouvido , essa pessoa perguntar o sentido da mesma e não saberem responder. Eu acho que estas frases estão alojadas no nosso subconsciente, associadas a um causa ou um efeito e falamo-las sem pensar. Assim sendo, desafio-vos para refletirem esta semana sobre a expressão: “Dar terra para pôr Cebolas!” Significado popular: Fugir de algo. Tentei procurar, infrutiferamente na internet. Resolvi então ver o significado simbólico da Cebola, nessa fantástica enciclopédia online Wikipédia: “Os latinos, segundo Plutarco, proibiam o uso do bolbo, porque acreditavam que ele crescia quando a Lua diminuía”. Ora, se “dermos terra para pôr cebolas” ocupamos a Terra com um vegetal que diminui a Lua. Logo, não augura nada de bom, certo?...