Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Obrigado Google:)

A noite é até onde eu quiser...

Atiro o chinelo para o chão, Pijama ao ar, Corro pelo varão, Embalo-me a dançar. Jogo o chapéu à testa, Visto a t-shirt da treta, Pego na minha vespa, Parto à procura da festa. Não quero saber onde vou, Não penso sequer o que esta a dar, Estou bem aonde estou, Seja onde for esse estar. Voltarei quando for, De noite ou ao amanhecer, Chegarei sem dor, Porque vivo o que me apetecer. Sou fruto da idade, Frescura da juventude, Vivo sem herdade, No momento e desprovido de amiúde.

Rotinas de Lisboa

Acordo de manhã, abro a janela, Na rua andam as crianças pela mão, O sem-abrigo dorme no chão, As peixeiras agitam-se com uma flor na lapela. Os idosos deixam o tempo passar, Os desempregados de jornal na visão, Os trabalhadores ao relógio perdem perdão, Os cantoneiros a vassoura vão virar. Olho para a televisão, Capas de jornais correm politicas, Noticias, cusquices e tricas, Faz-me correr a manteiga e me foge o pão. Acordo de manhã, abro a janela, Na rua andam as crianças pela mão, O sem-abrigo dorme do chão, O janota agita a flanela. Os jovens andam de música no coração, As senhoras bem vestidas e maquilhadas, Deixam-se passear pelo cão, Os carros agitam as estradas. Cartazes na rua e nas vielas, A publicidade do dia e da ocasião, Os espectáculos e o cinema das estrelas, As novidades da promoção. Acordo de manhã, abro a janela, Na rua andam as crianças pela mão, O sem-abrigo dorme do ...

Eu não, claro!

Chegaram os dias de Outono à floresta encantada. As primeiras chuvas humedeceram as terras. O vento sacudia os ramos, fazendo cair as folhas já secas e partir os galhos mais frágeis. Um tapete de tons dourados e avermelhados formava-se pelo chão. Era como se várias artesãs bordassem cada pedaço com todo o carinho das mãos mais experientes. Esse manto aveludado ia criando condições para o surgimento de uma variedade infindável de fungos das todas as cores e feitios. Junto ao tronco de um carvalho nasceu um cogumelo vermelho de pintas brancas de chapéu largo. Era impossível passar por ele sem se aperceber da sua existência e beleza. A sua cor viva ressaltava daqueles tons castanhos alaranjados que abundavam na floresta naquela altura do ano. À sua volta nasceram mais fungos, uns brancos, outros castanhos, outros amarelados mas nenhum atingia aquela vivacidade. O cogumelo cresceu assim, extremamente vaidoso e na sua mente o mundo girava a sua volta. O seu egocentrismo era t...

E a gorda sou eu...

Uma abóbora nasce junto a uma courgette. O tempo passa e elas crescem felizes e contentes. Um dia a courgette olha para a abóbora e diz: -És mesmo gorda e anafada! Credo! Não bebas mais água! A abóbora que nunca tinha sequer pensado sobre o assunto olha para o seu corpo arredondado e compara-o ao da sua amiga. De fato, era mais gordinha mas resolveu não ligar muito ao assunto. Passado alguns dias, a courgette, volta a referir: -Amiga, não bebas tanta água! Estás cada vez mais gorda! A abóbora começou a matutar mais nesse assunto e foi ficando cada dia mais triste e descontente. Tentou não beber mais água mas tinha muita sede. Cada vez que chovia ou era regada não aguentava. Chegou o dia da colheita. O agricultor apanhou a abóbora e a courgette e levou-as para a casa, colocando-as juntas com outros vegetais, entre os quais estava um pepino falador. -Olá meninas! A abóbora e a courgette mantiveram-se caladas. -Que caladinhas! A courgette, muito tímida, corou ao ver...

União da vida

Duas gotas caíram numa folha de uma planta. Não se conheciam mas simpatizaram logo uma com a outra. Falaram, falaram até perderem a noção do tempo. Junto ao caule da planta estava uma semente. Contudo, momento atrás de momento ia secando com o tempo, pois não tinha tido a sorte de receber água. As gotas distraídas com a conversa não tinham reparado nela. Passado algum tempo, uma das gotas parou de falar e olhou à sua volta, reparando na semente que murchava e disse: -Ela vai morrer! O que podemos fazer? -Não sei! Não tenho força suficiente para movimentar a folha e regá-la! -Ela vai morrer! -Espera! Conseguíamos se nos juntássemos. O nosso peso talvez incline a folha e nos faça cair! A outra gota, corada de vergonha: -Tenho medo de cair, de me magoar! -A água não se magoa, transforma e dá vida! A gota mais medrosa baloiçou o corpo e juntou-se à outra, sem pensar mais. O peso das duas gotas tombou a folha e juntas caíram junto à semente. Contudo, tiveram azar. Fic...