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Mensagens

O sonho do André

André tinha um sonho. Adorava brincar ao ar livre, nos jardins e parques da cidade. Gostava de saltar de pedra em pedra, como se estivesse a jogar na calçada portuguesa, mas, sempre que o fazia, sentia-se um bocadinho triste. E sabem o que o fazia sentir-se assim? O lixo espalhado pelo chão. André gostaria de ter uma vassoura mágica que varresse tudo ou uma borracha gigante que apagasse o lixo e um pincel para voltar a colorir de verde os jardins e de cinzento os passeios. Não conseguia perceber por que razão as pessoas deitavam lixo no chão quando havia caixotes espalhados pela cidade. Gostava de pensar que as pessoas não podiam ser tão descuidadas assim. Imaginava que existia um monstro do lixo que, ao tentar comer o lixo dos caixotes, deixava cair pelo chão pacotes de sumo, latas de cerveja e muitas outras coisas. Certo dia, na escola, a professora pediu a todos que desenhassem o que gostariam de ser quando fossem grandes e escrevessem um pequeno texto sobre isso como trabalho de ca...

A Dança das Alvéolas

Era uma vez uma pequena alvéola chamada Aurora, que vivia com a sua família num beiral de um telhado de uma casa antiga em Lisboa. A pequena Aurora era filha única e vivia com o seu pai, Augusto, e a sua mãe, Alice. Tal como todas as pequenas aves, ia todos os dias para a escola mais perto de sua casa. Era num parque urbano amplo e calmo, onde a professora Arménia ensinava a arte de ser uma alvéola-branca. Aprendiam a procurar comida, a afastar-se dos perigos, a esconder-se dos humanos e, sobretudo, a dançar. Sim, um dos principais ensinamentos era a Dança das Alvéolas, onde aprendiam a abanar a cauda. Escusado será dizer que esta era a disciplina preferida da maioria dos alunos. Bem, quase todos, porque a Aurora não conseguia abanar a cauda. Certo dia, a professora Arménia avisou que os pais poderiam, se quisessem, assistir à próxima aula de dança. Todos ficaram muito felizes, inclusive a Aurora. Contudo, após contar aos pais e notar o imenso entusiasmo deles em assistir, Aurora ficou...

Jóia azul

Era uma vez um ourives chamado António, que criava peças de ouro e pedras preciosas. Vivia num vale distante, no meio de montanhas geladas, com a sua mulher e a sua filha. O seu maior sonho era tornar-se o Ourives Real e fazer a peça mais bonita alguma vez vista para a Rainha Luz. Trabalhava de sol a sol para aperfeiçoar as suas criações, e o fruto do seu esforço começou a espalhar-se de boca em boca. Certo dia, o Rei Pedro chamou-o ao Palácio Real para o convidar a apresentar a sua melhor, mais valiosa e rara tiara, para que o Rei a pudesse oferecer no Dia dos Namorados. Se a Rainha Luz gostasse, António tornar-se-ia o Ourives Real. Luz era muito bela e bondosa, ao contrário da sua irmã, Gélida, que era vil e cruel. Gélida era a filha mais velha dos condes que o velho Rei André convidara para apresentar as suas filhas ao seu filho e atual Rei, Pedro. Pedro enamorou-se de Luz e ignorou Gélida, que, desde então, nunca mais foi boa. Tudo o que Luz tinha, Gélida cobiçava e fazia tudo para...

O moinho dos Sonhos do Mestre André

  — Avô, de onde vêm os sonhos? — perguntava o João. — Bem, os sonhos vêm do moinho dos Sonhos do Mestre André! — Quem é o Mestre André? — O Mestre André é o homem mais velho do mundo, que vive no topo de uma montanha, num moinho de vento. — A sério? Já alguma vez o viste? — Nunca ninguém o viu. Ele vive apenas com os seus amigos. — Quais amigos? — O vento e o Dragão dos Sonhos! — Uau, um dragão! E como é que ele fabrica os sonhos? — Como um moinho de vento normal. O João ficou baralhado, porque já tinha visitado um moinho de vento e, de lá de dentro, só saía farinha. — Isso não faz sentido, avô! No moinho que visitei, havia um senhor que colocava grãos entre duas grandes pedras chamadas mós. Elas rodavam e esmagavam os grãos, transformando-os em farinha. Esse movimento era gerado pela força do vento, que fazia girar as pás do moinho. — Pois, neste moinho, o Mestre André também põe uns grãos especiais, que são esmagados pelas mós. Depois, sai uma farinha mág...

O Natal do Astétrix

  Na aldeia gaulesa, Panoratix preparava tudo para as festividades do Solstício de Inverno, um fenómeno astrológico que marca o início da estação. Queria impressionar os seus amigos druidas com algo espetacular. Assim sendo, fechou-se em casa para preparar uma nova poção mágica. Contudo, o barulho dos gauleses estava a incomodar a sua concentração. Eles passavam a maior parte do tempo a comer ou a discutir, só parando quando tinham de lutar contra os romanos. Os almoços duravam horas: comiam de boca aberta, falavam e gritavam enquanto mastigavam. — Seria fantástico que tivessem, nem que fosse por alguns momentos, boas maneiras — disse Panoratix para Ideiatix, que estava aos seus pés tentando dormir a sesta, deitado sobre um ramo de azevinho. De repente, teve uma ideia. Despejou tudo o que tinha no caldeirão pela janela, diretamente sobre os seus canteiros de rosas, que reagiram de forma especial à poção, ficando com cabelo. Depois, lavou o caldeirão e começou a misturar pós, águas,...

Não quero ir!

Uns dias antes do Natal, na oficina do Pai Natal, estava quase tudo pronto. Os duendes tinham respeitado a lista de prendas dos meninos, e as prendas estavam todas já dentro do saco mágico. Bem, todas, todas, não! Algumas prendas saltaram de lá de dentro e esconderam-se atrás de um carrinho de mão de um duende. — Eu não quero ir! — dizia uma prenda. — Tens razão, vamos para quê? — repetia outra. E assim, este conjuntinho de prendas ficou num montinho a reclamar. Na véspera de Natal, o velho de barbas brancas pegava na enorme lista de prendas e conferia se não tinha faltado nada. Nesse ano, faltavam algumas prendas. — O que se passou? — perguntou o Pai Natal aos duendes. Eles não sabiam. Tinham feito todas as prendas e posto no saco mágico. O Pai Natal acariciou as barbas e colocou os seus óculos mágicos, que sabiam tudo o que se passava em todo o lado. Bastava ele pensar na pergunta. O velho de barbas brancas encaminhou-se para o carrinho de prendas do duende e sentou-se ao pé delas. —...

As manias de Tomé

Era uma vez um ouriço-cacheiro chamado Tomé, que vivia num tronco de árvore, num bosque, com os seus pais. O Tomé era muito, mas muito comichoso. Todos os dias, antes de ir para a escola, experimentava várias escovas para os pêlos da barriga. Gostava de os ter bem lisinhos e arrumados. Calçava várias meias e ténis até ficar com os pés simplesmente perfeitos... pelo menos naquele dia, porque, no dia seguinte, a solução já poderia não ser assim tão perfeita. Estas manias cansavam a sua mãe, que ficava todos os dias à sua espera. — Estas meias já não prestam, mãe! Estragaste-as a lavar! — Esta escova é horrível, mãe! Tens de fazer outra! — Odeio estes ténis! Dizia o Tomé, todos os dias. Os pais faziam tudo para acomodar as suas vontades. A avó tricotava meias novas todas as semanas, e a mãe fazia uma escova de picos de silva várias vezes. As rotinas repetiam-se. Certo dia, o Tomé brincava no quarto. Fingia ser um super-herói e imaginava que o Super-Picos, o seu boneco preferido, lutava co...