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Mensagens

Sei Lá, o Monstro de Todos

  Algures numa terra distante, na floresta de Sabe-se lá aonde, vivia um monstrinho, numa casa da árvore, com a sua família. Na floresta de Sabe-se lá aonde viviam várias criaturas mágicas, entre as quais: lamacentos (monstros de lama), musguentos (monstros de musgo) e folhentos (monstros de folhas). Mas, o nosso monstrinho era diferente. Ele tinha o corpo coberto de pelo, como os animais. musgo, como os musguentos, lama como os lamacentos e folhas como os folhentos. Ninguém sabia porque era assim. Os anciãos diziam que acontecia uma vez em cada mil anos. Os pais, quando ele nasceu, não sabiam que nome lhe dar então chamaram-no de Sei lá, dado que não tiveram ideias melhores. Sei lá era um monstro muito bonzinho, brincava com todos os outros monstrinhos. Não ficava triste quando o seu pelo ficava enlameado no lago ou as suas folhas cobertas de musgo quando rebolava com os musguentos. O seu primeiro inverno aproximava-se e o tempo arrefecia. Certo dia, quando Sei lá ac...

Os primos Crustáceos

  Debaixo de uma pedra, no jardim da dona Gertrudes, no Rogil, vivia o Bolas, um Bicho-de-conta. Era verão e estava imenso calor e só saía da sua casa de noite, quando estava mais fresco, para se alimentar das folhas velhas e húmidas. Certo dia, recebeu uma carta de um primo que não via há muito tempo, o Saltos, um Pulgão-da-praia a convidá-lo para ir passar umas férias à sua nova casa. num monte de algas velhas, na praia da Amoreira. Bolas, não gostava muito de conviver. Estava habituado a andar sozinho e ficou muito indeciso sobre se havia de aceitar o convite ou não. Contudo, só de pensar no sabor de umas algas ficou a salivar. Nessa noite resolveu iniciar a sua jornada, de pedra em pedra, de tronco em tronco, sempre à procura de sítios húmidos para respirar. Isso mesmo, respirar. Não sei se vocês sabem, mas os Bichos-de-conta respiram pela barriga. Várias noites passaram e, finalmente, conseguiu chegar à casa do primo Saltos. Quando o viu ao longe, empoleirado num m...

O botão feliz

                                                                                      Imagem: Copilot Num reino muito distante, vivia um rei muito rico com a rainha e a sua filha, a princesa Esmeralda. Esmeralda era uma menina linda, loura, com olhos verdes como os da mãe, e tinha uma vida de sonho. Tudo o que desejava, aparecia. Nunca lhe faltava nada. Mas havia um problema: os reis tinham muito pouco tempo para estar com ela. Por isso, pediram aos cientistas do reino que inventassem um casaco muito especial. Esse casaco tinha um botão mágico: sempre que a princesa carregava nele, aparecia de imediato um criado pronto a satisfazer qualquer desejo. Claro que Esmeralda nunca largava o casaco. Tinha quartos e quartos cheios de brinqu...

O grito do Talento

                                                                                                                                    Imagem criada por inteligência artificial Era uma vez um Grito que vivia numa cidade atarefada e numa vida agitada. O seu pai era o Canto e a sua mãe, a Voz Sussurrante. Naquela casa só se ouviam as canções do pai e a voz alta e estridente do Grito. O Grito não tinha muitos amigos, porque, sempre que se chateava, levantava a voz tão alto que ninguém queria brincar com ele. Vivia infeliz. Gostava de ter a voz melodiosa do pai e saber baixar o tom como a sua mãe, mas n...

O que é o amor?

Muito se escreveu sobre este tema, Muito se cantou, pintou e chorou. Mas o que é o amor? Será que é não conseguir deixar de pensar? Ficar parada a o olhar e perder o tempo a passar?   O ser humano nasce do amor E vive para o encontrar. É nele em que é feliz e, é nele que encontra a paz.   Há quem viva sem nunca o encontrar. Será porque procura o amor perfeito? Ou será, que o perfeito para si não existe?   Como o achar? Como saber se é agora, se já foi ou ainda será? Respostas, respostas, será que alguém as tem?   O amor não é uma meta de uma corrida, Não é um sinónimo de um dicionário, O amor é a estrada da vida, que, agora, neste momento, nos faz seguir.

Lena a corajosa

Era uma vez uma avestruz chamada Lena que vivia no Jardim Zoológico de Lisboa com outros animais. Era diferente das outras. Vivia afastada porque não se sentia bem com as suas companheiras. Lena tinha um sonho: queria aprender a voar como o seu amigo pardal, o Tito. Adorava poder voar pelas nuvens e sentir o sabor do vento. Todos os dias tentava levantar voo, subindo a um dos comedouros e atirando-se lá de cima. Contudo, sempre que tentava, chorava e esperneava. As suas asas ficavam tensas e não conseguia fazer mais nada durante algum tempo. O seu amigo Tito tentava animá-la, mas ela nem o ouvia. A raiva de não conseguir voar era mais forte do que ela. — Não percebo, Tito! — gritava. — Tenho asas com penas, porque não voo? Tito, com muita paciência, respondia: — Lena, as avestruzes são grandes e pesadas. É difícil voar! — Não digas isso! Eu sou uma ave como tu! Eu quero voar! — insistia ela. Passados alguns minutos, Lena acalmava-se e voltava às suas rotinas diárias. — Sa...

Livro sem memórias

 Era uma vez um livro. Um livro largado numa estante. Um daqueles livros com capa vermelha, rija e sem desenhos. Era um livro tão sem graça que ali estava a acumular pó. Já não se lembrava da última vez que o tinham aberto para ler. Aliás, tinha sido há tanto tempo que até ele próprio já nem se recordava do que tinha escrito nas suas páginas. A sua dona tinha falecido e o livro ficou para a filha, a Leonor, que o guardava numa prateleira como recordação da sua mãe. Essa sim o abria todos os dias, quando Leonor era pequena, para lhe contar uma das histórias do livro. Ela, contudo, nunca teve tempo para o ler à sua filha, Maria, e as memórias das histórias desapareceram com o tempo da sua memória. Certo dia, a professora da Maria pediu que ela levasse um livro com histórias diferentes e ela pediu à mãe: – Oh, querida! Leva um bonito, com belas imagens! – Mas mãe, todos os meus amigos têm um livro desses e as histórias são todas iguais. – Então não sei! Agora a mãe não pode! A...

Alex, o caracol surfista

Era uma vez um caracol chamado Alex, que vivia num arbusto em Aljezur, junto dos seus cinquenta irmãos, perto da praia da Amoreira. Adorava sentir o vento e, sobretudo, a brisa fresca do mar. Os seus dias preferidos eram os de nevoeiro. Acordava com a carapaça coberta de gotas de água fria e salgada e escorregava pelos ramos como os surfistas da praia. O sonho de Alex era ser surfista. Nesses dias, fechava os olhos e imaginava que tinha uma carapaça colorida como as autocaravanas e que usava uma prancha debaixo do seu corpo. — Yupiieee! — dizia ele. Os seus irmãos odiavam a brisa do mar. Gostavam de estar sossegados e só saíam da carapaça para dar umas trincas nas estevas. Achavam que ele era doido e, por isso, deixavam-no sempre na base do ramo onde viviam. Ele não se importava nada, porque assim podia escorregar pelas gotas do orvalho. Certo dia, viu uma menina a passear junto à praia, de mão dada com os seus pais. Os seus irmãos esconderam-se todos nas carapaças e agarraram-se...

Mulher

Ser mulher é : perceber o que ninguém vê, levantar quando já ninguém se ergue, ter força quando já ninguém se mexe, resolver o que já ninguém consegue, esquecer a dor pela dor de todos, descansar no descanso dos outros, Ser mulher é ter a força de um gigante com a delicadeza de uma flor.

O sonho do André

André tinha um sonho. Adorava brincar ao ar livre, nos jardins e parques da cidade. Gostava de saltar de pedra em pedra, como se estivesse a jogar na calçada portuguesa, mas, sempre que o fazia, sentia-se um bocadinho triste. E sabem o que o fazia sentir-se assim? O lixo espalhado pelo chão. André gostaria de ter uma vassoura mágica que varresse tudo ou uma borracha gigante que apagasse o lixo e um pincel para voltar a colorir de verde os jardins e de cinzento os passeios. Não conseguia perceber por que razão as pessoas deitavam lixo no chão quando havia caixotes espalhados pela cidade. Gostava de pensar que as pessoas não podiam ser tão descuidadas assim. Imaginava que existia um monstro do lixo que, ao tentar comer o lixo dos caixotes, deixava cair pelo chão pacotes de sumo, latas de cerveja e muitas outras coisas. Certo dia, na escola, a professora pediu a todos que desenhassem o que gostariam de ser quando fossem grandes e escrevessem um pequeno texto sobre isso como trabalho de ca...

A Dança das Alvéolas

Era uma vez uma pequena alvéola chamada Aurora, que vivia com a sua família num beiral de um telhado de uma casa antiga em Lisboa. A pequena Aurora era filha única e vivia com o seu pai, Augusto, e a sua mãe, Alice. Tal como todas as pequenas aves, ia todos os dias para a escola mais perto de sua casa. Era num parque urbano amplo e calmo, onde a professora Arménia ensinava a arte de ser uma alvéola-branca. Aprendiam a procurar comida, a afastar-se dos perigos, a esconder-se dos humanos e, sobretudo, a dançar. Sim, um dos principais ensinamentos era a Dança das Alvéolas, onde aprendiam a abanar a cauda. Escusado será dizer que esta era a disciplina preferida da maioria dos alunos. Bem, quase todos, porque a Aurora não conseguia abanar a cauda. Certo dia, a professora Arménia avisou que os pais poderiam, se quisessem, assistir à próxima aula de dança. Todos ficaram muito felizes, inclusive a Aurora. Contudo, após contar aos pais e notar o imenso entusiasmo deles em assistir, Aurora ficou...

Jóia azul

Era uma vez um ourives chamado António, que criava peças de ouro e pedras preciosas. Vivia num vale distante, no meio de montanhas geladas, com a sua mulher e a sua filha. O seu maior sonho era tornar-se o Ourives Real e fazer a peça mais bonita alguma vez vista para a Rainha Luz. Trabalhava de sol a sol para aperfeiçoar as suas criações, e o fruto do seu esforço começou a espalhar-se de boca em boca. Certo dia, o Rei Pedro chamou-o ao Palácio Real para o convidar a apresentar a sua melhor, mais valiosa e rara tiara, para que o Rei a pudesse oferecer no Dia dos Namorados. Se a Rainha Luz gostasse, António tornar-se-ia o Ourives Real. Luz era muito bela e bondosa, ao contrário da sua irmã, Gélida, que era vil e cruel. Gélida era a filha mais velha dos condes que o velho Rei André convidara para apresentar as suas filhas ao seu filho e atual Rei, Pedro. Pedro enamorou-se de Luz e ignorou Gélida, que, desde então, nunca mais foi boa. Tudo o que Luz tinha, Gélida cobiçava e fazia tudo para...

O moinho dos Sonhos do Mestre André

  — Avô, de onde vêm os sonhos? — perguntava o João. — Bem, os sonhos vêm do moinho dos Sonhos do Mestre André! — Quem é o Mestre André? — O Mestre André é o homem mais velho do mundo, que vive no topo de uma montanha, num moinho de vento. — A sério? Já alguma vez o viste? — Nunca ninguém o viu. Ele vive apenas com os seus amigos. — Quais amigos? — O vento e o Dragão dos Sonhos! — Uau, um dragão! E como é que ele fabrica os sonhos? — Como um moinho de vento normal. O João ficou baralhado, porque já tinha visitado um moinho de vento e, de lá de dentro, só saía farinha. — Isso não faz sentido, avô! No moinho que visitei, havia um senhor que colocava grãos entre duas grandes pedras chamadas mós. Elas rodavam e esmagavam os grãos, transformando-os em farinha. Esse movimento era gerado pela força do vento, que fazia girar as pás do moinho. — Pois, neste moinho, o Mestre André também põe uns grãos especiais, que são esmagados pelas mós. Depois, sai uma farinha mág...

O Natal do Astétrix

  Na aldeia gaulesa, Panoratix preparava tudo para as festividades do Solstício de Inverno, um fenómeno astrológico que marca o início da estação. Queria impressionar os seus amigos druidas com algo espetacular. Assim sendo, fechou-se em casa para preparar uma nova poção mágica. Contudo, o barulho dos gauleses estava a incomodar a sua concentração. Eles passavam a maior parte do tempo a comer ou a discutir, só parando quando tinham de lutar contra os romanos. Os almoços duravam horas: comiam de boca aberta, falavam e gritavam enquanto mastigavam. — Seria fantástico que tivessem, nem que fosse por alguns momentos, boas maneiras — disse Panoratix para Ideiatix, que estava aos seus pés tentando dormir a sesta, deitado sobre um ramo de azevinho. De repente, teve uma ideia. Despejou tudo o que tinha no caldeirão pela janela, diretamente sobre os seus canteiros de rosas, que reagiram de forma especial à poção, ficando com cabelo. Depois, lavou o caldeirão e começou a misturar pós, águas,...

Não quero ir!

Uns dias antes do Natal, na oficina do Pai Natal, estava quase tudo pronto. Os duendes tinham respeitado a lista de prendas dos meninos, e as prendas estavam todas já dentro do saco mágico. Bem, todas, todas, não! Algumas prendas saltaram de lá de dentro e esconderam-se atrás de um carrinho de mão de um duende. — Eu não quero ir! — dizia uma prenda. — Tens razão, vamos para quê? — repetia outra. E assim, este conjuntinho de prendas ficou num montinho a reclamar. Na véspera de Natal, o velho de barbas brancas pegava na enorme lista de prendas e conferia se não tinha faltado nada. Nesse ano, faltavam algumas prendas. — O que se passou? — perguntou o Pai Natal aos duendes. Eles não sabiam. Tinham feito todas as prendas e posto no saco mágico. O Pai Natal acariciou as barbas e colocou os seus óculos mágicos, que sabiam tudo o que se passava em todo o lado. Bastava ele pensar na pergunta. O velho de barbas brancas encaminhou-se para o carrinho de prendas do duende e sentou-se ao pé delas. —...

As manias de Tomé

Era uma vez um ouriço-cacheiro chamado Tomé, que vivia num tronco de árvore, num bosque, com os seus pais. O Tomé era muito, mas muito comichoso. Todos os dias, antes de ir para a escola, experimentava várias escovas para os pêlos da barriga. Gostava de os ter bem lisinhos e arrumados. Calçava várias meias e ténis até ficar com os pés simplesmente perfeitos... pelo menos naquele dia, porque, no dia seguinte, a solução já poderia não ser assim tão perfeita. Estas manias cansavam a sua mãe, que ficava todos os dias à sua espera. — Estas meias já não prestam, mãe! Estragaste-as a lavar! — Esta escova é horrível, mãe! Tens de fazer outra! — Odeio estes ténis! Dizia o Tomé, todos os dias. Os pais faziam tudo para acomodar as suas vontades. A avó tricotava meias novas todas as semanas, e a mãe fazia uma escova de picos de silva várias vezes. As rotinas repetiam-se. Certo dia, o Tomé brincava no quarto. Fingia ser um super-herói e imaginava que o Super-Picos, o seu boneco preferido, lutava co...

A bruxa com chulé

( ilustração criada com ajuda da inteligência artificial) Era uma vez uma bruxa chamada Alice que vivia num bosque distante. Levava uma vida tranquila, rodeada pelos seus feitiços, numa casinha de madeira. A única altura do ano em que saía do bosque era na noite das bruxas. Nesse dia, vestiu o seu melhor vestido, escovou a sua vassoura preferida e preparou-se para sair. Todas as suas amigas estariam lá, por isso tinha que estar no seu melhor. No entanto, demorou tanto a preparar-se que acabou por se atrasar. Montou-se na sua vassoura e disse as palavras mágicas: — Palhas de aranha e baba de rato, arruma as palhas e voa de jacto! E lá foi ela. Já era Outono e o ar no céu estava frio. De repente, começou a sentir um dos seus pés gelados. Olhou para baixo e percebeu que se tinha esquecido de calçar um sapato. — Ai, meu caldeirão! O que será de mim? Já não tenho tempo de voltar atrás. Vou para a festa descalça. Alice ficou bastante preocupada, não só por ir descalça, mas também porque tinh...

Jogo de sustos

A noite mais desejada do ano estava a chegar. O zombie Trapos, o fantasma Sopro e o esqueleto Ossos estavam a preparar tudo. Ia ser uma noite de muitos sustos e partidas. Trapos estava entusiasmado: – Vamos fazer um jogo! – Qual jogo? – perguntou Ossos. – Aquele que conseguir mais gritos arruma o sótão da casa assombrada durante um mês! Então assim foi. Trapos fez tudo para parecer ainda mais assustador: esfarrapou mais a roupa, arrancou mais uns cabelos e rebolou na lama, ficando num estado deplorável. Ossos, após pensar muito, resolveu aprender a desencaixar e encaixar a cabeça. Estava a imaginar-se a aparecer à frente das crianças com a cabeça na mão. Restava o Sopro que, simplesmente, não podia fazer nada. Ele era quase invisível. O que poderia fazer? Pensativo e muito triste, Sopro refugiou-se no seu sítio preferido: o telhado. Não sei se vocês sabem, mas os fantasmas só são visíveis quando querem. Contudo, existe um ser que os vê sempre: os gatos. E Sopro tinha um amigo vivo, o B...